Políticas culturais são afetadas pela escassez de estudos em profundidade sobre seu impacto social

Balanço dos resultados de pesquisas sobre o impacto social da cultura e do esporte é positivo, mas encontra deficiências.


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Um estudo patrocinado pelo programa Culture and Sport Evidence (CASE), do Reino Unido, publicado em 2015, realizou uma revisão da literatura científica sobre o impacto social da cultura e dos esportes. Seus principais focos foram sobre os efeitos na saúde, na redução da criminalidade, na educação e no capital social da população. Denominado The Social Impacts of Engagement with Culture and Sport, o documento (disponível apenas em inglês) revela que os esportes levam boa vantagem sobre as artes, em termos da quantidade e qualidade de evidências descritas sobre esses impactos, descritas até o momento.
Contudo, as evidências também associam de forma positiva a participação nas artes com os efeitos pesquisados. No que tange à saúde, os benefícios comprovados atingem tanto pessoas doentes como as saudáveis, inclusive no campo da saúde mental, com destaque para os efeitos da música.
Em relação à criminalidade, a maioria das pesquisas está focada no efeito de programas artísticos para pessoas condenadas anteriormente, com resultados comprovados na autoestima, habilidades de comunicação e trabalho em equipe, fatores importantes de prevenção da reincidência. Contudo, são mais raras as evidências de efetiva redução da criminalidade como efeito da participação nas artes.
As melhores evidências de impacto social das artes dizem respeito ao incremento do capital social, com destaque para um grande número de pesquisas voltadas para a população jovem. Esses estudos indicam que a participação em atividades artísticas potencializa melhores relações sociais, coesão e maior sensação de empoderamento e segurança nas comunidades. A maior parte associa também as artes como a inclusão social, sugerindo que o desenvolvimento de uma cidadania cultural favorece um engajamento mais amplo na comunidade.
Já os resultados relativos à educação são positivos quanto a aspectos como a autoestima e uma melhor integração entre corpo docente, estudantes e familiares, embora sejam menos documentados os efeitos sobre o desempenho escolar propriamente dito.
São mais escassas os estudos a respeito da influência do Patrimônio Cultural e dos setores de museus, bibliotecas e arquivos. Um dos mais evidentes refere-se ao trabalho de voluntários (prática comum nestes setores, no Reino Unido). Outros apontam para um maior senso de pertencimento à comunidade e incremento do capital social.

Detalhe do Monumento a Júlio de Castilhos, na Praça da Matriz em Porto
Alegre. Foto de divulgação do projeto Passeios Pela Arte da SMC
O Culture and Sport Evidence (CASE) é um programa de pesquisa estratégica, liderado pelo Department for Culture, Media and the Sports (DCMS, equivalente a um Ministério), em colaboração com o Arts Council England, o English Heritage e o Sport England (as duas últimas, organizações não-governamentais), dedicado a reunir evidências oriundas de diversos campos de pesquisa empírica, com a finalidade de subsidiar as políticas para a cultura e os esportes. Sua base de dados reúne e torna acessíveis mais de 12 mil estudos.

(com informações do site Arts Professional)

Seminário Latino-Americano de Informações e Indicadores Culturais (3)

O segundo e último dia do seminário iniciou-se com a mesa dedicada a Hábitos e consumo de bens culturais, reunindo os pesquisadores Luis Ortiz, do Instituto de Ciencias Sociales, instituição de pesquisa não-governamental do Paraguai, que apresentou dados de pesquisa feita naquele país, comparando práticas de culturas populares e tradicionais; João Leiva, da Jleiva Cultura e Esporte, com dados da pesquisa Cultura em SP; Fabio Senne, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet do Brasil (Cgi.br), que apresentou um panorama das práticas que envolvem o uso da Internet no Brasil; e Ana Cecilia (Cissi) Montilla, voltada às práticas de leitura no México. Todas as apresentações estão disponíveis para baixar na página da programação do evento.

À tarde, a programação do evento encerrou-se com a mesa sobre Economia da Cultura, com a participação de Maria Alejandra Aspillaga (CNCA-Chile), Ana Cecilia (Cissi) Montilla (Mexico), Frederico Barbosa (IPEA-Brasil) e Silvia Finguerut (FGV-Brasil), com mediação do Professor Leandro Valiati (FCE-UFRGS e OBEC-RS). Um resumo desta mesa pode ser lido na página do seminário, com acesso às apresentações de slides.

Seminário Latino-Americano de Informações e Indicadores Culturais (2)

A manhã do primeiro dia do Seminário terminou com a apresentação de Antônio Alkmim, Gerente de Pesquisas e Estudos Federativos do IBGE, que destacou dados do Suplemento de Cultura do Perfil dos Estados e Municípios Brasileiros (ESTADIC-MUNIC). A pesquisa "aborda aspectos relevantes da cultura nos entes federativos considerados, fornecendo informações sobre o panorama do setor no que diz respeito à existência de equipamentos culturais, meios de comunicação, atividades artísticas e artesanais e pontos de cultura; gestão da Política de Cultura; infraestrutura para o cumprimento da função e capacitação de servidores; legislação relacionada ao tema; instâncias de participação; além de existência e funcionamento de Fundos de Cultura, entre outros aspectos". Alguns dos resultados são destacados na notícia do MinC sobre o lançamento da pesquisa, ocorrido na véspera.

A parte da tarde concentrou a maioria dos convidados estrangeiros (Chile, Paraguai e Colômbia), e também tratou de um tema mais técnico: Experiências de Contas-Satélite de Cultura. Participaram Diana Rey, representante do Convenio Andres Bello (CAB); Raúl Ernesto Casas, do Ministerio de Cultura da Colômbia; e Maria Alejandra Aspillaga, do Consejo Nacional de la Cultura y las Artes, do Chile. As contas-satélite são instrumentos para medir a contribuição de determinado setor - no caso, a produção de bens e serviços culturais - ao todo da economia de um país ou região. Algumas iniciativas pioneiras neste sentido vem ocorrendo na América Latina, com apoio do CAB.  Nesta página do SNIIC você encontra um resumo da mesa sobre contas-satélite, com acesso às apresentações dos convidados.

Na sequência, encerrando a programação do primeiro dia, a mesa MinC em Números contou mais uma vez com a presença de três secretários do Ministério, apresentando dados da atual gestão: Carlos Paiva (SEFIC), Ivana Bentes (SCDC) e Guilherme Varella (SPC), além da Subsecretária de Planejamento, Orçamento e Administração, Ana Flávia Souza Leite. Leia aqui um resumo dessa mesa, com acesso às apresentações.

Seminário Latino-Americano de Informações e Indicadores Culturais (1)

Mesa de abertura do Seminário
Iniciativa do Ministério da Cultura, o I Seminário Latino-Americano de Informações e Indicadores Culturais aconteceu em Brasília, nos dias 15 e 16 de dezembro. Este post da início ao relato do que vimos e ouvimos por lá.
A importância do evento para o MinC pode ser aferida pela presença, na mesa de abertura, de três dos seis secretários: Guilherme Varella (SPC), Vinícius Wu (SAI) e Ivana Bentes (SCDC). Completaram a mesa representantes dos órgãos setoriais que se encontram em estágio mais avançado no que diz respeito ao tratamento de dados, o IBRAM (que mantém a plataforma MuseusBR, ou Rede Nacional de Identificação de Museus) e a Diretoria de de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (responsável pelo Mapa das Bibliotecas.)

Após a abertura, houve a assinatura de Termo de Cooperação Técnica entre o MinC e o Instituto Tim, para o desenvolvimento do software Mapas Culturais. O software já se encontra em operação nos estados do Rio Grande do Sul, Tocantins e Ceará, e pelos municípios de São Paulo SP, João Pessoa PB, Sobral CE, São José dos Campos SP e Blumenau SC. Segundo Leonardo Germani,  Coordenador de Monitoramento de Informações Culturais, a partir do próximo ano o MinC pretende apoiar a implantação do software em outros estados e municípios, fornecendo suporte técnico e infra-estrutura para hospedagem dos dados, de forma integrada com o SNIIC.

Na sequência da programação, Germani apresentou um relato do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), desde sua concepção no MinC, há uma década, até o momento atual. Confira a apresentação de slides.
Na página do SNIIC o leitor encontrará a programação completa do Seminário, com links para as diversas apresentações.

Conexões Criativas na UFRGS

Entre os dias 16 e 19 de novembro, aconteceu na UFRGS o segundo evento da série Conexões Criativas, atividade de extensão promovida pelo Observatório de Economia Criativa - OBEC-RS e do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo - CEGOV. Com cinco sessões e mais uma conferência de encerramento, o workshop Indicadores para Desenvolvimento de informação qualificada sobre Economia Criativa foi ministrado pelos espanhóis Pau Rausell-Köster e Raúl Abeledo (foto à esq.) e pelo professor Leandro Valiati, coordenador do OBEC-RS e professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS.

Rausell e Abeledo (que já estiveram palestrando em Porto Alegre, em setembro de 2012, fato que foi notícia neste blog) são responsáveis, na Universidad de Valencia, pela Área de Pesquisa em Economia da Cultura e do Turismo, intitulada ECONCULT. Com mais de duas décadas de atuação na área, sua equipe vem produzindo pesquisas de valor para quem interessa em Economia da Cultura - todas ou a maior parte delas disponíveis aqui (em espanhol). Foi uma excelente oportunidade de conhecermos mais a fundo o seu trabalho, salientando continuamente a importância dos dados para formulação e avaliação das políticas públicas de cultura, numa perspectiva de desenvolvimento integral.

O objetivo desse encontro foi compartilhar por aqui a experiência do Econcult no espaço europeu, buscando conectar a cultura a estratégias de desenvolvimento local e regional, e obtendo êxito na busca de recursos em fundos e programas de fomento não-culturais, mantidos pela  União Europeia, tais como Horizon (voltado à pesquisa e inovação), Life (meio-ambiente), Urbact (cidades), Interreg (inovação com foco em governos locais e regionais) e Cosme (pequenas e médias empresas).

Raúl Abeledo, cuja trajetória vem dos estudos do meio-ambiente, chama a atenção para a importância do uso da pesquisa econômica dentro do campo cultural, alertando para o fato de que a cultura - tal como a ecologia - não deve subordinar-se à economia,  no sentido de ser apenas mais uma ferramenta para fomentar o desenvolvimento econômico, mas sim para repensarmos o próprio conceito de desenvolvimento.

Rausell observa que a complexidade do campo da cultura é usada amiúde como pretexto para se descartar técnicas quantitativas, chegando a afirmar - como provocação - que até hoje não encontrou nada impossível de medir (embora possa ser difícil). Alerta que os dados não servem para substituir  o debate público, porém são essenciais para torná-lo mais informado e produtivo, ao colocar em xeque certos clichês que tomamos como verdades absolutas.

A conferência de encerramento, dia 19 (foto à dir.), teve como palestrantes, além do professor Rausell, o Secretário de Políticas Culturais do MinC, Guilherme Varella, e o professor Filip Vermeylen, da Universidade Erasmus de Roterdam (Holanda), que vem estudando os mercados globais de arte, particularmente nos países emergentes.

Todas as sessões foram gravadas em vídeo e estão disponíveis no site do OBEC-RS.