Quais as cidades europeias mais criativas?

Clique para acessar a publicação (em inglês)

Projeto inédito analisa indicadores culturais e criativos para 168 cidades da Europa 


O projeto de pesquisa Monitor das Cidades Culturais e Criativas, da Comissão Europeia, acaba de publicar seu primeiro relatório. Definido como uma "ferramenta para o mútuo intercâmbio e o aprendizado para fortalecer o desenvolvimento liderado pela cultura", o Monitor avaliou 168 cidades em 30 países europeus, utilizando 29 diferentes indicadores, que abrangem nove dimensões, em três domínios.
Pode ser interessante considerarmos esse indicadores em relação às cidades em que vivemos:

1. Vibração Cultural
1.1. Espaços e equipamentos culturais. Considera que a vida cultural é elemento chave para a qualidade de vida de uma cidade.
1.2. Participação cultural e atratividade. Capacidade da cidade e sua oferta cultural atrair público local ou visitantes.

2. Economia Criativa
2.1. Empregos criativos e baseados em conhecimento. Indica a presença de trabalhadores com alta qualificação em três setores chave: arte, cultura e entretenimento; mídia e comunicação e serviços criativos (como moda e publicidade)
2.2. Propriedade intelectual e inovação. Indicadores de inovação no contexto das novas tecnologias
2.3. Novos empregos em setores criativos. Capacidade de converter ideias inovadoras em novos empreendimentos e vagas de trabalho.

3. Ambiente amigável
3.1. Capital humano e educação. Qualidade da oferta de educação universitária na cidade, considerada um fator crucial na atração de talentos.
3.2. Abertura, tolerância e confiança. Tolerância à diversidade e confiança mútua entre habitantes, capazes de receber de forma positiva pessoas e contribuições de diferentes culturas.
3.3. Conexões locais e internacionais. Facilidades de acesso e transporte disponíveis para moradores e visitantes.
3.4. Qualidade da governança. Relaciona-se a políticas governamentais efetivas e republicanas, sem corrupção.

As cidades foram classificadas conforme seu porte em quatro categorias: extra-grandes (mais de 1 milhão de habitantes), grandes (500 mil a 1 milhão), médias (250 a 500 mil) e pequenas (50 a 250 mil). As cidades que obtiveram a maior pontuação em seus respectivos grupos foram Paris, Copenhague, Edinburgo e Eindhoven.

Entre os principais achados da pesquisa, verificou-se uma clara associação entre os indicadores selecionados e o PIB per capita, assim como o nível de emprego. As cidades com maior pontuação no ranking tendem a apresentar maior percentual de jovens, bem como de estudantes universitários ou diplomados, assim como de estrangeiros (de fora da União Europeia). Verificou-se ainda que o tamanho da cidade nem sempre é determinante em para sua performance criativa, bem como o fato de ser ou não capital.

O relatório (em inglês, apenas), publicado recentemente, apresenta o contexto político, metodologia e resultados da pesquisa. Além disso, um portal interativo permite aos interessados conhecer em maior detalhe o projeto, visualizando dados sobre cidades específicas, fazendo simulações ou gerando infográficos ou tabelas para download.

Cultura e o próximo Plano Plurianual (2): detalhamento por ações

PPA 2018-2021 foi aprovado dia 10 de agosto. Foto Tonico Alvarez (CMPA)
Em nossa postagem anterior, apresentamos dados relativos à Cultura, extraídos do próximo Plano Plurianual de Porto Alegre (PPA 2018-2021), aprovado recentemente pela Câmara Municipal. Nesse documento, que irá balizar a elaboração dos orçamentos anuais (LOAs) pelos próximos quatro anos (2018 a 2021), verifica-se que, apesar de estar previsto um aumento no total de receitas do Município, haverá uma progressiva redução dos recursos para as políticas culturais, recursos que irão atingir o menor percentual, desde a criação da Secretaria Municipal da Cultura.

Dando seguimento à análise, detalharemos os recursos previstos para cada uma das ações da SMC, comparando o PPA atual (2014-2017) com o próximo. No quadro abaixo, estão algumas das principais ações que terão continuidade. Está prevista a redução de recursos para o Fumproarte (-63,1%), Livro e Literatura - rebatizada de Literatura e Humanidades (-58,9%), Música (-40,7%), Audiovisual (-35,4%), Descentralização (-32,8%) e Porto Alegre em Cena (-13,6%).
Ações que terão aumento nos recursos são a Democratização Cultural - que engloba ações de diversas áreas (+144,5%),  a manutenção de equipamentos culturais (+116%), o PMLL (+101,9%), as Artes Cênicas (+82,9%), Artes Visuais (+53,6%) e Dança (+24,6%) ação Memória da Cidade atribui o aumento significativo de 242,6% a recursos de financiamento externo ao Município.

Além dessas, diversas ações não terão continuidade, ou seja, deixarão de existir no próximo PPA, por não tem previsão de recursos (podendo ou não serem absorvidas por outras): Atelier Livre, Carnaval, Cinemateca Capitólio, Democracine, Fomento às Artes Cênicas, Mais Cultura na Cidade, Manifestação contra a Intolerância e pela Paz, Nativismo e Manifestações Populares, Nômades Urbanos, Porto Alegre Amanhã, Promoção de Ações Voltadas ao Patrimônio Cultural, Sambódromo e Usina do Gasômetro.

É sempre bom advertir que esses valores, assim como os que constam nas Leis Orçamentárias Anuais (LOA), são estimativas. A execução orçamentária da SMC, por exemplo, ao longo do período 2014-2017, terá valores significativamente menores do que os previstos no PPA elaborado em 2013. (Assunto que será abordado neste blog, ano que vem, quando estiver finalizada a execução do período)

As Cidades Criativas na Argentina

Palestra de Mora Scillamá na Reitoria da UFRGS, dia 26/7

Governo Nacional criou concurso para articular e oferecer apoio a cidades com potencial criativo.

Em outra atividade integrante da programação dos Diálogos Criativos, realização da UFRGS em parceria com o MinC, através do Observatório de Economia Criativa do RS, pudemos ouvir um pouco sobre as iniciativas do atual Governo Argentino nesta área, pela voz da Diretora de Indústrias Criativas do Ministério da Cultura, Mora Scillamá.

Foi interessante saber que o atual governo de lá vem reunindo "Mesas Sectoriales", "orientadas a elaborar un diagnóstico colectivo y una estrategia unificada para los distintos sectores de las industrias creativas: Música, Editorial, Videojuegos y Artes Escénicas". Tal iniciativa, que reúne os mais diversos atores desses setores culturais, provavelmente se inspirou na que foi adotada pelo nosso Ministério da Cultura em 2005, batizada no Brasil como "Câmaras Setoriais" (mais tarde renomeadas como "Colegiados"), que produziu diagnósticos inéditos e abrangentes em alguns setores. (Com sorte você ainda conseguirá encontrar algum deles na página do Conselho Nacional de Políticas Culturais).

Mas o projeto que está em estágio mais avançado por lá é a Rede de Cidades Criativas. Inspirado no programa de Cidades Criativas da Unesco, tem alguns avanços em relação a este, como o fato de realmente propor o estabelecimento de laços entre as cidades e o de introduzir múltiplos critérios para caracterizar as cidades da rede (A Unesco atribui o título de Cidade Criativa para cidades que comprovem excelência em uma singular especialidade. No caso de Buenos Aires, pelo Design.)

Assim, o Ministério lançou duas concorrências públicas para os municípios, avaliando os inscritos conforme os critérios de desenvolvimento setorial de indústrias criativas, criatividade e governo, promoção do turismo cultural e trabalho colaborativo. A rede assim formada hoje conta com a participação de 54 cidades, das quais 8 (com mais de 100 mil habitantes) são consideradas "nós" ou polos. Através deste programa, o Governo Nacional pretende fortalecer as IC de diversas formas, contando com a colaboração mútua das cidades entre si.

A palestra de Mora Scillamá está disponível em vídeo aqui. (junto com as dos outros palestrantes)



Como as principais cidades do mundo financiam a cultura?

http://www.worldcitiescultureforum.com/news/how-do-world-cities-finance-culture

Estudo inédito compara gastos públicos e privados com cultura em 16 metrópoles mundiais



Você sabia que US$ 3,3 bilhões de dinheiro público são destinados à cultura em Paris anualmente? Moscou e Londres não ficam muito atrás, recebendo US$ 2,4 e US$ 1,6 bilhões, respectivamente. No entanto, apesar da grande quantidade de dinheiro público e privado gastos em cultura nessas importantes cidades (e em muitas outras), o conhecimento sobre suas dimensões e impacto ainda é bastante limitado.
 
O relatório World Cities Culture Finance, [link para o texto original, disponível somente em inglês] publicado recentemente, é o primeiro estudo comparativo global sobre o volume  do gasto em cultura em metrópoles do mundo, quem gasta e para onde o vai o dinheiro. Seu propósito é ajudar os tomadores de decisões a estarem conscientes de um amplo conjunto de formas de apoio à cultura, dando-lhes o conhecimento necessário para entender e navegar num cenário de financiamento cada vez mais complexo. O relatório resulta de um ano e meio de pesquisa, realizada pela BOP, consultoria britânica especializada em cultura e economia criativa, por demanda do Fórum Cultural das Cidades Mundiais (WCCF-World Cities Culture Forum):  

 Alguns destaques:

  • O modelo mais difundido, comum a todas as cidades, é o de financiar um portfólio relativamente pequeno de instituições culturais chave.
  • Mais de 60% de todo o financiamento público direto da cultura é fornecido pelos governos municipais ou locais.
  • Nas cidades dos EUA, o financiamento da cultura é predominantemente por doações privadas. Fora deste país, com exceção de Tóquio, nenhuma outra cidade tem mais de 19% de fontes privadas.
  • As cidades chinesas estão investindo cada vez mais em formas culturais mais comerciais e inovadoras, especialmente nas indústrias criativas. Nelas, predomina o apoio público.
  • Os indivíduos dominam a doação privada à cultura nos EUA e no Reino Unido. As empresas dominam as doações privadas na Ásia.
  • O financiamento público indireto, incluindo deduções e incentivos fiscais, vem crescendo em importância, mas a maioria das cidades necessita aperfeiçoar esses mecanismos e avaliar sua eficácia.
  • Grandes proporções dos orçamentos culturais nacionais são destinado às capitais, por elas sediarem os maiores "ativos imobilizados", que criam um legado de receita e capital. O Reino Unido é um dos poucos países nos quais uma única cidade do país recebe a maior parte do gasto cultural.
Além de uma análise comparativa introdutória, o relatório inclui perfis detalhados do financiamento cultural em dezesseis cidades-membros do Fórum Cultural das Cidades Mundiais (World Cities Culture Fórum): Amsterdã, Bruxelas, Istambul, Londres, Los Angeles, Moscou, Nova York, Paris, San Francisco, Seul, Xangai, Shenzhen , Estocolmo, Sydney, Tóquio e Toronto. (Outras dezesseis cidades-membros ficaram de fora do estudo, entre elas o Rio de Janeiro, única cidade brasileira que integra o Fórum.) 
Perfil das cidades: recursos públicos x privados
(clique na imagem para ampliar)

Novos modelos de financiamento

O relatório observa uma crescente experimentação com os modelos de financiamento. Em Estocolmo, Sydney e Seul, plataformas de crowdfunding estão sendo usadas como ponto de partida, para o recebimento de financiamento público de forma complementar, com algumas cidades tornando tais doações dedutíveis dos impostos. Em Amsterdam, examina-se a criação de um "modelo cooperativo" de apoio a músicos, onde um grande grupo desses profissionais se cotiza para investir em determinado espaço, realizando ali vários concertos individuais por ano, para associados pagantes. O relatório analisa ainda os modelos de gestão para a distribuição do fomento público, serviço parcialmente terceirizado em Istambul, para uma empresa; e em Tóquio, para uma organização sem fins lucrativos.

Doação privada

Como o nível de financiamento público à cultura está em declínio em cidades europeias (como Londres e Amsterdã), e mais ainda em Seul ou Sydney, os formuladores de políticas tendem a apoiar cada vez mais organizações que obtém receita própria ou arrecadem doações privadas. O programa Catalyst, do Arts Council England é destacado por oferecer apoio a organizações culturais para aumentar sua capacidade de angariar fundos. Uma avaliação recente mostrou que o programa produziu resultados em 88% das organizações artísticas envolvidas, que conseguiram manter ou aumentar o volume de recursos angariados. No entanto, o relatório observa que esta abordagem não é generalizada e que, em muitas cidades, incentivos para aumentar os níveis de doação privada "não parecem estar dando frutos no momento", como em Seul, por exemplo, mesmo que as doações individuais para o Arts Council sejam 100% dedutíveis; nos Países Baixos; ou na Suécia, onde doações privadas são incomuns. Tais descobertas sugerem que provavelmente os hábitos relacionados a doações individuais levam tempo para mudar e podem exigir estratégias diferentes ou complementares daquelas que se concentram exclusivamente no sistema tributário.

Reprodução/adaptação/tradução pelo Observatório da Cultura a partir dos textos na página do WCCF e no Informativo da Arts Professional (texto de Christy Romer)
 

Nova pesquisa mostra como as artes e a cultura melhoram a saúde, a segurança e o bem-estar

Foto: Fernanda Hespanhol (Banco de Imagens PMPA)

Um novo estudo mostra como as artes e a cultura melhoram a saúde, a segurança e o bem-estar nos bairros menos prósperos da cidade de Nova York

Residentes de baixa e moderada renda em bairros de Nova York com muitos recursos culturais são mais saudáveis, melhor educados e mais seguros do que aqueles em comunidades semelhantes com menos recursos criativos, de acordo com um estudo inovador da Escola de Política e Prática Social da Universidade da Pensilvânia. Os resultados se mantém em todos os cinco distritos da cidade.
O Projeto Impacto Social das Artes (SIAP) examinou o "ecossistema cultural de vizinhança" (por exemplo, ONGs e empresas criativas, locais de entretenimento, jornais de bairro, livrarias, artistas, etc.) que fazem de New York a capital cultural do mundo. Enquanto muitos estudos tem analisado o impacto econômico das artes, esta pesquisa procurou documentar como elas melhoram a qualidade de vida dos nova-iorquinos comuns. O estudo foi financiado pelo NYC Cultural Agenda Fund do The New York Community Trust e Fundação Surdna.
"Esta pesquisa confirma e se baseia no que temos visto vimos sobre o poder da arte para moldar comunidades e melhorar vidas", disse Kerry McCarthy, diretor do The Trust. "Nossas subvenções aumentam a oferta de artes nos bairros que mais precisam, por isso estamos felizes em usar as descobertas (da pesquisa) para aperfeiçoar esta estratégia".
Segundo o relatório, a cultura não atua sozinha, mas é um ingrediente que torna os bairros mais fortes. Os resultados serão utilizados pelas fundações Trust e Surdna na concessão de subvenções e pelo Departamento de Assuntos Culturais da Cidade, como subsídio a um plano cultural para a cidade ainda este ano.

Destaques da Pesquisa

Nos bairros de baixa renda, os recursos culturais estão "significativamente" ligados a uma melhor saúde, escolaridade e segurança. A pesquisa, que foi estratificada conforme situação econômica, raça e etnia, constatou que a presença de recursos culturais está associada com:

  • Uma redução de 14% nos casos de abuso e negligência de crianças;
  • Uma redução de 5% na obesidade;
  • Um aumento de 18% nas crianças com pontuação no estrato superior em exames de inglês e matemática;
  • Uma redução de 18% na taxa de criminalidade grave.

Os recursos culturais, como tudo o mais, estão distribuídos de forma desigual pela cidade. Os bairros mais prósperos de Manhattan e do oeste do Brooklyn têm concentrações extremamente elevadas de organizações sem fins lucrativos, empresas culturais, artistas, etc., enquanto vastas áreas dos outros bairros têm muito poucos recursos culturais.
"Ir a um museu não vai fazer você perder peso ou reduzir suas chances de ser assaltado, mas as comunidades com recursos culturais estão melhor", disse Mark Stern, pesquisador-chefe do projeto e professor de Bem-Estar Social e História. "Nossa pesquisa demonstrou claramente que áreas da cidade vão bem em diversos aspectos do bem-estar, apesar dos desafios econômicos significativos."
O relatório fornece dados sobre ativos culturais para centenas de bairros, com um olhar mais detalhado nos bairros East Harlem (Manhattan) e Fort Greene / Clinton Hill (Brooklyn).
O New York Community Trust está atualmente apoiando os esforços do Brooklyn Arts Council para coordenar as coalizões culturais em Brownsville, Bushwick e East New York, e o trabalho da Corporação de Desenvolvimento da Grande Jamaica para construir coalizões culturais no Bairro Jamaica, no sul do Bronx, no leste de Brooklyn e no alto Manhattan. Outros financiadores também são inspirados pelas descobertas do relatório.
"Esta pesquisa sublinha o papel crítico que as artes e a cultura desempenham na construção de comunidades equitativas e vibrantes. Os dados fundamentais nesta pesquisa oferecem informações valiosas que irão informar nosso programa Thriving Culture ["Cultura Florescente"] à medida que buscamos alcançar a justiça social e a sustentabilidade da comunidade ", disse Judilee Reed, diretora da Surdna Foundation.
"Os resultados deste estudo provam o que temos observado empiricamente durante décadas: as artes melhoram vidas. Elas se baseiam em nossas qualidades mais fundamentalmente humanas, como criatividade, descobertas e comunidade. Vemos isto aqui e também na variada programação artística do Museu de Arte Africano Contemporânea Diáspora (MoCada), em escolas, parques e habitação pública em todo o Brooklyn Central ", disse James Bartlett, diretor executivo do MoCADA.
"De experiências pessoais com obras de arte, ao desenvolvimento econômico regional - não importa como você olhe para ele, arte e cultura têm um efeito transformador em nossas comunidades", disse o Comissário de Assuntos Culturais [da Cidade de Nova York] Tom Finkelpearl. "Agora, o relatório pioneiro do SIAP nos traz uma maior compreensão de como esses benefícios se desenvolvem em nível de bairro. Esta notável pesquisa torna mais claro do que nunca: o acesso à cultura é uma característica definidora de uma comunidade saudável. À medida que continuarmos a desenvolver o plano cultural CreateNYC, usaremos essas descobertas para melhor apreciar e defender o papel que a arte e a cultura desempenham em todos os cinco distritos".

Sobre o estudo

A compreensão do valor social das artes tem sido o objetivo do projeto Cultura e Bem-Estar Social em Nova York. Foi realizado pelo Social Impact of the Arts Project (SIAP) da Escola de Política e Prática Social da Universidade da Pensilvânia, juntamente com o Fundo de Reinvestimento, uma instituição financeira de desenvolvimento comunitário, com sede na Filadélfia. Ao longo das últimas décadas, especialistas deram especial atenção aos benefícios econômicos das artes e da cultura para as cidades. A maioria desses estudos focaliza o papel de grandes equipamentos - como museus e centros de artes cênicas - em tornar uma cidade atraente para os visitantes ou "criativos" universitários. Este estudo analisa o papel das artes para a melhoria da vida dos residentes comuns, especialmente aqueles que vivem em bairros de renda moderada e baixa. A pesquisa foi conduzida de 2014 a 2016.

Sobre o Fundo para a Agenda Cultural de NY, do The New York Community Trust

Fundado em 2014, o Fundo é uma parceria de sete financiadores que visa fortalecer a rede de advocacia pelas artes na cidade e promover políticas culturais e equidade. Seus doadores incluem a Fundação Booth Ferris, a Fundação Lambent, a Fundação Stavros Niarchos, a Fundação Robert Rauschenberg, o Rockefeller Brothers Fund eo Fundo David Rockefeller. As atividades do Fundo incluem a concessão de subsídios para fortalecer a rede de advocacia das artes e polinização cruzada dos esforços relacionados às políticas; assistência técnica para o setor como um todo; e briefings para analisar pesquisas atuais e tendências em artes e cultura e incentivar a aplicação prática dos resultados. O New York Community Trust está empenhado em promover vidas saudáveis, futuros promissores e comunidades prósperas para todos os nova-iorquinos. É a fundação da comunidade para New York City, Westchester, e Long Island.

Acesse aqui o estudo completo (em inglês) The Social Wellbeing of New York City's Neighborhoods: The Contribution of Culture and the Arts
Leia o resumo da pesquisa. (em inglês)
Texto traduzido do original em inglês na página da Universidade de Pennsylvania.

Cultura fortalece e torna mais seguras as cidades, diz Unesco

Relatório global Cultura: Futuro Urbano foi lançado em Outubro, na Conferência Habitat

Neste Dia Mundial do Urbanismo, o blog apresenta a seus leitores o novo documento da Unesco sobre Cultura e Desenvolvimento Urbano, traduzindo o Artigo original de LISA CONTAG, para o Site BlouinArtInfo,

A Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - defende fortemente a promoção sistemática da cultura no planejamento urbano em sua nova publicação, Cultura: Futuro Urbano, (link para o original, somente em inglês por ora) lançado em 18 de outubro durante a III Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III) em Quito, Equador. Com o subtítulo de "Relatório Global sobre a Cultura para o Desenvolvimento Urbano Sustentável", o relatório complementa a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que visa assegurar "os assentamentos humanos e as cidades inclusivas, seguras, resistentes e sustentáveis" ao redor do Globo.
"Espera-se que em 2030 o mundo tenha 41 megacidades como mais de 10 milhões de habitantes. A urbanização maciça e rápida pode frequentemente exacerbar os desafios para as cidades, criando mais favelas, como baixo acesso a espaços públicos, bem como um impacto negativo sobre o ambiente. Esse processo geralmente leva ao aumento do desemprego, da desigualdade social, da discriminação e da violência", explica a Unesco em declaração oficial. De acordo com as conclusões do relatório, a melhor medida para prevenir tais efeitos negativos é integrar totalmente os componentes culturais nas estratégias urbanas desde o início.
Em mais de 100 estudos de caso, a pesquisa analisa as situações, os riscos e as potencialidades das cidades em vários contextos regionais, com especial interesse também na África e na Ásia, onde a urbanização deverá continuar a aumentar rapidamente nas próximas décadas.
"A cultura está no centro da renovação urbana e da inovação. Este relatório fornece uma riqueza de insights e evidências concretas que mostram o poder da cultura como um ativo estratégico para a criação de cidades que sejam mais inclusivas, criativas e sustentáveis", declarou Irina Bokova, Diretora-Geral da Unesco, enfatizando que a Cultura "aumenta a potência social e econômica das cidades", especialmente com o apoio das indústrias criativas.
Como exemplo, o relatório refere-se a Xangai, China, que tem o status de uma Cidade Criativa conferido pela Unesco desde 2010 e é considerada atualmente "um dos maiores centros criativos do mundo, com mais de 7,4% da força de trabalho empregada nas Indústrias Criativas".
As cidades em situação de conflito e pós-conflito, como Samarra, no Iraque (que sofreu com a destruição de inúmeros locais de valor inestimável, ​​como o Santuário de Al-Askari, em 2006), também foram levadas em consideração e parecem se beneficiar da mesma forma. "Os esforços de reconstrução e reabilitação demonstraram a capacidade da cultura para restaurar a coesão social entre as comunidades e melhorar os meios de subsistência, pavimentando o caminho para o diálogo e a reconciliação", explicam os autores.
Os autores identificam três pré-requisitos para cidades culturalmente diversas, seguras e prósperas: 1) que as cidades centradas nas pessoas sejam espaços centrados na cultura; 2) que os ambientes urbanos de qualidade sejam moldados pela cultura, e 3) que as cidades sustentáveis ​​precisam de uma política integrada que se baseie na cultura.
Para alcançar esses objetivos, o relatório faz 12 recomendações:
· Melhorar a habitabilidade das cidades e salvaguardar a sua identidade;
· Assegurar a inclusão social nas cidades através da cultura;
· Promover a criatividade e a inovação no desenvolvimento urbano através da cultura;
· Desenvolver a cultura para o diálogo e as iniciativas de consolidação da paz;
· Fomentar as cidades de escala humana e de uso misto, aproveitando as lições aprendidas com as práticas de conservação urbana;
· Promover um ambiente habitável, seja construído ou natural;
· Melhorar a qualidade dos espaços públicos através da cultura;
· Melhorar a resiliência urbana através de soluções baseadas na cultura;
· Regenerar as cidades e os vínculos rural-urbanos, integrando a cultura no centro do planejamento urbano;
· Basear-se na cultura como um recurso sustentável para o desenvolvimento econômico e social inclusivo;
· Promover processos participativos através da cultura e reforçar o papel das comunidades na governança local;
· Desenvolver modelos financeiros inovadores e sustentáveis ​​para a cultura.

Saiba mais sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
Leia o relatório completo Culture, Urban Future. (em inglês)
Leia as recomendações da UNESCO no original (em inglês)

Livro sobre democracia nas cidades tem participação do Observatório



Clique para ler o livro
O mês de abril tem sido movimentado para o Observatório, com muita coisa interessante acontecendo. Na terça, dia 12, houve o lançamento do livro Democracia nas Cidades e as Grandes Transformações Urbanas. Organizado pela equipe do ObservaPoA, o livro reúne diversos artigos apresentados na XII Conferência do Observatório Internacional de Democracia Participativa. Realizado em Porto Alegre, em 2012, o encontro reuniu atores sociais, estudantes, acadêmicos e pessoas interessadas no assunto, convidando-as a refletir e trocar experiências sobre as intensas transformações vividas pelas cidades e a necessária garantia da participação da população nesse processo de construção.

Entre os textos publicados está "Observatório da Cultura de Porto Alegre: primeiros passos, reflexões e perspectivas", de Álvaro Santi, que descreve as primeiras ações do Observatório desde sua instalação, em 2010. O lançamento do livro, que contou com a presença do Secretário de Governança César Busato e da maioria dos autores, integrou a programação do III Encontro de Cidades e Universidades, realizado no campus central da UFRGS.