Dia do Patrimônio

Casa Godoy (Independência 456)
Reproduzimos texto do Coordenador da Memória Cultural da SMC, o arquiteto Luiz Antônio Bolcato Custódio, publicado ontem no jornal Correio do Povo

Comemora-se hoje o Dia Nacional do Patrimônio, data em homenagem ao mineiro jornalista e historiador Rodrigo Mello Franco de Andrade (1898-1969), responsável pela criação da estrutura nacional de preservação do patrimônio cultural em 1937, cujo idealizador foi o intelectual paulista Mario de Andrade (1893-1945). Diferentemente do que ocorria no restante do mundo, a preservação do legado do passado no Brasil foi proposta por integrantes do que havia de mais avançado na ocasião - o Movimento Modernista. À época, Mario de Andrade declarava que defender o nosso patrimônio histórico e artístico é alfabetização.
Criado no governo de Getúlio Vargas, na prática, o patrimônio nacional buscou destacar inicialmente as grandes representações da identidade nacional, com o tombamento de monumentos como Ouro Preto, Salvador e as nossas Missões. Em mais de 70 anos de preservação, passou por diferentes períodos e concepções, destacando-se o inicial, considerado como fase heroica, a fase da descoberta, e os anos de Aluísio de Magalhães (1979-1972), nos quais o conceito de patrimônio histórico e artístico se amplia para o de patrimônio cultural, envolvendo a diversidade das manifestações brasileiras. Nos anos 1990, Maria de Lourdes Horta plasma o conceito de educação patrimonial e, no início do século XXI, um dos preceitos de Mario de Andrade é recuperado com a institucionalização do registro do patrimônio imaterial.
Contradições e conflitos sempre acompanharam a preservação do patrimônio no Brasil. Equivocadamente colocado como antagônico ao desenvolvimento, ou contra a especulação imobiliária, na verdade a grande contradição se estabelece em função do modelo de planejamento urbano, de base modernista. Em países que sofreram guerras, o patrimônio que resistiu às destruições é considerado precioso investimento, recurso ou fonte de desenvolvimento. Um patrimônio que a gente, inclusive, paga pra ver. Bem diversamente, aqui se optou por um modelo de crescimento urbano via demolições. Sumárias. Que atingira, inclusive a bens recentes, com significativa qualidade construtiva, descartando matéria-prima, conhecimento técnico, recursos investidos, além dos referenciais de memória da população. Há cada vez menos para ver, aprender, conhecer. Como se em nosso país a riqueza também não pudesse ser feita por adição, acrescentando novas construções, sem recorrer às demolições, uma vez que aqui o que não falta é espaço, para tudo e todos. É hora de rever esta postura, pois o planeta requer nova atitude em relação ao meio ambiente e sua sustentabilidade. E a preservação do patrimônio se enquadra neste contexto. Deveríamos buscar integrar diferentes épocas, com qualidade, evidenciando momentos significativos de nossa trajetória. Quiçá a esperada revitalização do Porto abra, enfim, os olhos de muita gente. Que consiga ver áreas e setores urbanos como grandes oportunidades - de negócios, de preservação, de ambiência, de qualidade de vida.






2 comentários:

  1. Muito bom este texto, meu trabalho de conclusão de curso de pós-graduação foi sobre Patrimônio Cultural e a Praça da Alfândega. É um assunto que me interessa e deveria interessar a muito mais pessoas, pois esse Patrimônio diz a nosso respeito.
    Estou pensando em colocar algo sobre esse assunto nas próximas postagens do meu blog: http://www.campanicultural.com.br/

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  2. Emílio Haenzel23/08/2011 16:44

    O apoio à conservãção do Patrimônio de um Povo, representa uma garantia de extensão da cultura para todos nossas gerações futuras. Simboliza o respeito que dedicamos à pessoas, muitas vezes, anônimas, que se dedicaram em muitos micro-contextos, (como por exemplo, levantar cedo, tomar café, assentar um tijolo, carregar caibros de madeira, etc...etc...) para a construção do que hoje denominamos Patrimônio.

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