A pirataria na Internet: novo estudo publicado

Clique para baixar o relatório (em inglês)
A Universidade de Amsterdam acaba de publicar o relatório Global online piracy study, sobre o consumo de música, filmes, séries, livros e jogos através de vários canais legais e ilegais disponíveis num conjunto de 13 países de distintos continentes (França, Alemanha, Holanda, Polônia, Espanha, Suécia, Brasil, Canadá, Hong Kong, Indonésia, Japão, Tailândia). Os objetivos são fornecer informações factuais sobre o estado de aquisições autorizadas e não autorizadas e consumo de conteúdos digitais; avaliar os motivos e mecanismos subjacentes e seu vínculo com medidas de fiscalização e legislação disponível; avaliar o efeito da pirataria on-line sobre o consumo de fontes legais. No centro do estudo, financiado pela Google, está uma pesquisa com cerca de 35.000 entrevistados, incluindo mais de 7.000 menores, nos 13 países citados.

Análise legal

A pesquisa jurídica comparativa foi realizada com base em questionários sobre o status legal de violação e execução de direitos autorais, completados por especialistas nos 13 países estudados. Constatou-se que, apesar de algum grau de incerteza jurídica, a maioria dos atos estudados é qualificada como infração por parte dos usuários ou permite a responsabilização de intermediários. Além disso, os ISPs (Provedores de Acesso à Internet) estão frequentemente sujeitos a prescrições e deveres de precaução, mesmo quando se utilizam de fontes seguras. No geral, os detentores de direitos autorais tem um vasto arsenal de medidas legais para implantar contra usuários finais e ISPs. Existe uma tendência em muitos países em relação à aplicação de direitos autorais por meio de medidas civis ou administrativas destinadas a bloquear sites que fornecem acesso a conteúdo infrator. Avisos aos infratores e às plataformas que hospedam ou vinculam conteúdo infrator com o objetivo de remover ou bloquear tal conteúdo são igualmente usados com ​​regularidade, no contexto de sistemas de aviso e remoção. Medidas criminais são menos populares. Ainda assim, apesar da abundância de medidas de fiscalização, a percepção de sua eficácia é incerta. É questionável se a resposta para combater com sucesso a violação de direitos autorais on-line está em direitos ou medidas de execução, especialmente se não resultam em receitas adicionais para os detentores de direitos autorais e geram risco de conflito com os direitos fundamentais dos usuários e intermediários. Em vez disso, pode ser sensato procurar a resposta à pirataria em estratégias mais atraentes de oferta legal de conteúdos protegidos por direito autoral.

Mercados em crescimento

Os dados de vendas de música, filmes, vídeos, livros e jogos indicam que a renda per capita seria um importante fator de despesas, para todos os tipos e formatos de conteúdos digitais. No entanto, a partir de um nível de renda anual de € 30.000 per capita, esta relação já não parece se aplicar e as preferências nacionais superam o fator renda. Analisando mais de perto, fica claro que as vendas físicas estão em declínio contínuo para quase todos os tipos de conteúdo e em quase todos os países, porém apesar disso o aumento nas vendas digitais levou ao crescimento líquido total entre 2014 e 2017 para música gravada, conteúdos audiovisuais, livros e jogos. Despesas com shows e concertos ao vivo e idas ao cinema também estão em alta.

Resultados da pesquisa

A percentagem da população da Internet que consome conteúdo de fontes legais varia entre 61% na França e 93% na Indonésia. Na maioria dos países europeus, esse percentual caiu um pouco entre 2014 e 2017 - principalmente devido a uma queda para os suportes físicos - enquanto o volume total de consumo legal cresceu. Consumir conteúdo de fontes ilegais - pirataria on-line - é mais prevalente entre usuários de Internet na Indonésia, Tailândia e Brasil, seguidos pela Espanha e Polônia. Em percentagem da população total, Espanha, Canadá e Hong Kong são os três principais países para a pirataria, que é menos comum na Alemanha, Japão e Indonésia (nesta devido à baixa penetração da Internet). Entre 2014 e 2017, o número de piratas diminuiu em todos os países europeus, exceto na Alemanha. (O Brasil só foi incluído na pesquisa de 2017).

Os volumes de consumo per capita por canal de conteúdo legal e ilegal, que acompanham a pesquisa, nem sempre coincidem com essas tendências: para a maioria dos países e tipos de conteúdo, um aumento no consumo per capita de conteúdos ilegais foi observado, apesar de um decréscimo na  proporção da população na pirataria on-line. Isto implica que a questão da pirataria está gradualmente  se restringindo a um grupo menor: menos pessoas consomem mais conteúdo, através de canais ilegais. 

Pode ser tentador argumentar que um aumento no uso de certas medidas coercitivas contra plataformas ilegais tem contribuído para a diminuição do número de piratas na Europa. No entanto, a falta de evidências relativa à eficácia da maioria das medidas de execução e à forte ligação entre a pirataria e o disponibilidade e acessibilidade do conteúdo sugere o contrário: em nível nacional, a pirataria on-line relaciona-se de forma notavelmente forte com a falta de poder aquisitivo. Maior renda per capita coincide com um menor número de piratas por usuários legais. Além disso, piratas e usuários legais são em grande parte as mesmas pessoas: demograficamente, os piratas se assemelham  muito aos usuários legais, embora em média tendam a ser um pouco mais jovens e mais frequentemente do sexo masculino. Mais importante, para cada tipo de conteúdo e país, 95% ou mais dos piratas também consomem conteúdo legal, e seu consumo médio deste conteúdo é aproximadamente o dobro do de usuários legais que não são piratas.

Substituição de vendas legais

Este estudo confirma estudos anteriores que encontraram evidências estatísticas de que o consumo ilegal de música, livros e jogos substitui o consumo legal. No entanto, essa tendência não ocorre entre os menores de idade. Os resultados para música indicam que o consumo ilegal substitui principalmente os downloads legais e suportes físicos. O efeito no streaming não é estatisticamente significativo. Para livros, os resultados são contrários aos da música e do audiovisual, no sentido de que taxas estatisticamente significativas de substituição foram encontradas para livros comprados em papel e emprestados de bibliotecas. Para jogos, o efeito encontrado para jogos gratuitos é particularmente alto, mas os coeficientes encontrados para os outros canais também são estatisticamente significativos. Assim como para livros, o grande coeficiente de jogos grátis podem ser exagerados.

Combinando os dados da pesquisa com os de uma pesquisa semelhante realizada em 2014, é possível verificar mudanças individuais nos hábitos de consumo em seis países da Europa, ao longo do tempo. Um aumento no consumo ilegal ao longo do tempo está relacionado com um aumento no consumo legal, e vice-versa. A longo prazo, melhorias na disponibilidade de canais legais são decisivos, e as mudanças nas preferências pessoais afetam de forma semelhante o consumo legal e o ilegal.

Pesquisa inédita mapeia o acesso à cultura em 12 capitais brasileiras

Infográfico destaca alguns resultados para Porto Alegre
No mês passado, foram publicados os resultados da pesquisa Cultura nas Capitais, a pesquisa quantitativa entrevistou 10.630 jovens e adultos (com doze anos ou mais) sobre seus hábitos culturais, entre junho e julho de 2017, em doze capitais das cinco regiões brasileiras.  Os entrevistados foram abordadas em pontos de fluxo populacional, segundo metodologia desenvolvida pelo Instituto Datafolha. Além de indagar sobre os hábitos culturais (leitura, frequência a cinemas, teatros, shows de música, eventos de dança, museus, circos, etc.), o questionário incluiu perguntas sobre o perfil sociodemográfico e comportamental. O estudo apresenta as variáveis mais tradicionais — como sexo, idade, escolaridade, classificação econômica e renda — e traz informações sobre estado civil, presença de filhos, tipo de ocupação, cor, religião e orientação sexual (esta última pergunta só foi feita para pessoas com ao menos dezesseis anos).

Os dados dessa pesquisa situam Porto Alegre acima da média das capitais, em quase todos os tipos de atividades. Por exemplo, pessoas que nunca foram a shows de música são 22% (16% em Porto Alegre); a concertos são 66% (contra 61% em Porto Alegre). Pessoas que frequentaram as diversas atividades em Porto Alegre, nos últimos doze meses, apresentam percentuais acima da média para todas as atividades, exceto circo e festas populares.


Outra comparação interessante é entre os dados dessa pesquisa e aqueles obtidos por nós em 2015, na pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, o que fizemos na tabela aa lado. Observa-se que alguns resultados se aproximam, enquanto outros tem divergências significativas. (Cabe notar que na pesquisa do Observatório as entrevistas foram realizadas a domicílio, diferentemente destas, em que os entrevistados foram abordados em espaços públicos)

Clique na imagem para baixar o livro (pdf)
Os resultados da pesquisa Cultura nas Capitais estão disponíveis no site de uma forma muito atraente, permitindo uma ótima visualização dos dados de cada uma das capitais e o cruzamento das diversas variáveis pesquisadas. Quem preferir, pode baixar no formato de livro.

A pesquisa é uma realização da J. Leiva Cultura e Esporte, com patrocínio da Braskem e Instituto CCR, com apoio do Proac-SP e Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Perfil do público das artes em Porto Alegre nos Anais do I CIPCS

 Clique na imagem para ler os anais do CIPCS

Artigo apresentado em Congresso utilizou dados da pesquisa do Observatório da Cultura


Nos dias 17 a 19 de abril, estivemos na Universidade Federal de Pelotas, participando do I Congresso Internacional de Pesquisa em Cultura e Sociedade (I CIPCS). Na ocasião, apresentamos o trabalho "Perfil do público das artes em Porto Alegre".

Partindo dos resultados da pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, realizada pelo Observatório da Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, que entrevistou 1.220 pessoas com 15 anos ou mais, entre novembro e dezembro de 2014, o artigo analisa as respostas sobre frequência da população a atividades artístico-culturais externas, tais como a assistência a espetáculos de música popular e erudita, dança, teatro, exposições de fotos e artes plásticas e filmes em salas de cinema, segundo variáveis como idade, sexo, cor ou raça, escolaridade, renda, trabalho, profissão e estado civil. Os resultados indicam graves desigualdades na participação, clamando por maior atenção das políticas pública s locais, no sentido de ampliar os públicos desses eventos, atraindo a população que apresenta maiores índices de exclusão, notadamente jovens e idosos, negros, pobres e pessoas com baixa escolaridade. Dado o pouco alcance das políticas culturais tradicionais, sugere-se que a articulação dessas com políticas sociais voltadas para a juventude, os idosos, a acessibilidade e o combate à discriminação racial pode contribuir nessa tarefa, bem como a formação de público por meio do ensino das artes, com resultado s a médio e longo prazo.

Alguns dados utilizados no artigo já foram comentados neste blog, em postagens aqui, aqui, aqui e aqui.

Os Anais do I CIPCS (1831 p.), contendo o artigo (p. 727-742), estão disponíveis aqui. 

Realização do Instituto Conex e do Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura (CLAEC), o I Congresso Internacional de Pesquisa em Cultura e Sociedade teve como proposta promover o intercâmbio de pesquisas com focos em estudos culturais, e seus variados fenômenos sociais e constituir um espaço que permita ampliar e aprofundar as noções que cercam este tema, tão importante para a vida contemporânea, onde a cultura encontra-se imersa em um rápido contexto de globalização, por isso, sendo tão importante sua compreensão nas mais variadas manifestações apresentadas nos meios sociais.

Observatório apresenta resultados de pesquisa de públicos em Congresso

Na semana passada, o coordenador do Observatório da Cultura de Porto Alegre, Álvaro Santi, participou, na Universidade Federal de Pelotas, do I Congresso Internacional de Pesquisa em Cultura e Sociedade, onde apresentou o artigo "Perfil do Público das Artes em Porto Alegre", baseado em dados da pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, realizada pelo Observatório da Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, que entrevistou 1.220 pessoas com 15 anos ou mais, entre o final de 2014 e o início de 2015. (Um primeiro relatório dessa pesquisa foi publicado aqui.)

O  artigo analisa as respostas sobre frequência da população a atividades artístico culturais externas, tais como a assistência a espetáculos de música popular e erudita,dança, teatro, exposições de fotos e artes plásticas e filmes em salas de cinema, segundo variáveis como idade, sexo, cor ou raça, escolaridade, renda, trabalho, profissão e estado civil. 

Desigualdade revelada: percentual de pessoas que nunca
frequentaram atividades culturais é maior entre os negros,
para todos os tipos de atividades. (clique para ampliar)
De acordo com a pesquisa, os resultados indicam desigualdades significativas na participação (veja exemplo no gráfico ao lado), exigindo  maior atenção das políticas públicas locais no sentido de ampliar os públicos desses eventos, notadamente jovens e idosos, negros, pessoas com baixa escolaridade e baixa renda familiar. Considerando o limitado alcance e recursos das políticas culturais tradicionais, sugere que a articulação destas com outras políticas sociais - voltadas para a juventude, os idosos, a acessibilidade e o combate à discriminação racial - possa contribuir nessa tarefa; bem como a formação de público por meio do ensino das artes, com resultados a médio e longo prazo.

Realizado pelo Instituto Conex e pelo Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura (CLAEC), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do RS (Fapergs), o Congresso de Pesquisa em Cultura e Sociedade teve como proposta promover o intercâmbio de pesquisas com focos em estudos culturais, e seus variados fenômenos sociais. 

O artigo será publicado em breve nos anais do Congresso (que compartilharemos aqui).

Perfil do público das artes em Porto Alegre é analisado em artigo

O Artigo "Perfil do Público das Artes em Porto Alegre", de Álvaro Santi, foi selecionado para apresentação no Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura - Enecult, que ocorre esta semana em Salvador BA. O artigo apresenta, de forma resumida, alguns dados já reproduzidos e comentados em postagens anteriores deste blog, obtidos pela pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, do Observatório da Cultura, relacionando a frequência a espetáculos de música, teatro, dança, exposições e cinema com características dos entrevistados, como sexo, cor/raça, renda e escolaridade.

Em sua décima-segunda edição, o Enecult é realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura) do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC) e Faculdade de Comunicação, como apoio do Observatório do Itaú Cultural.

Todos os artigos selecionados para a presente edição do Enecult podem ser baixados aqui.

Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.

ATUALIZAÇÃO EM 12/7/2018: Embora a pesquisa tenha sido selecionada pelo Enecult, por motivos pessoais não me foi possível viajar para apresentar o trabalho no evento, motivo pelo qual o mesmo foi excluído dos anais publicados na Internet. Posteriormente, foi apresentado no I Congresso Internacional de Pesquisa em Cultura e Sociedade, em abril de 2018, em Pelotas RS. Acesse aqui o artigo.

Pesquisa revela percepção do público sobre as artes nos EUA


Em dezembro de 2015, a empresa de pesquisas Ipsos realizou, para a Americans for the Arts, associação da sociedade civil norte-americana em prol das artes, uma pesquisa de opinião sobre a percepção e atitudes do público em relação às artes no país, através de 3.020 entrevistas com a população adulta. O relatório completo (em inglês) está disponível na página da associação. Pelo interesse que desperta, sobretudo por podermos comparar alguns dados com a realidade brasileira, traduzimos aqui alguns dados destacados na pesquisa:


1. As artes conferem sentido à nossa vida. 63% da população acredita que as artes "nos elevam" (“lift me up") para além da vida cotidiana. 64% sente que as artes lhes dão "o prazer puro de experimentar e participar” e 73% dizem que as artes são "uma experiência positiva num mundo conturbado".
2. A maioria de nós busca experiências artísticas. 7 em cada 10 estadunidenses adultos (68%) frequentaram algum evento artístico no ano anterior (indo ao teatro, museu, espetáculo musical, etc.)
3. Frequentemente usufruímos das artes em lugares inesperados. Uma proporção ainda maior da população (77%) afirma ter experimentado as artes em espaços "não artísticos", como parques, hospitais, shoppings ou aeroportos.
4. As artes são parte das vidas das pessoas nos mais diversos grupos sociais. Pessoas negras frequentam mais eventos artísticos que as brancas (71% contra 66%). Índices mais altos de participação da população negra foram encontrados para diversas manifestações artísticas, incluindo dança, museus e teatro.
5. Instituições artísticas agregam valor a nossas comunidades. Independentemente dos entrevistados participarem pessoalmente, 87% deles acredita que essas entidades são importantes para a qualidade de vida e 82% pensa que são importantes para os negócios e a economia local.
6. Nós doamos para as artes. 27% da população (mais do que 1 em 4 entrevistados) fez alguma doação a organizações de artes, cultura ou mídia pública no ano anterior. Os doadores são em geral mais jovens, com níveis de renda e educação acima da média.
7. Nós apoiaremos candidatos que pretendam incrementar o fomento às artes. Perguntados se votariam ou não em candidatos que prometessem aumentar o atual gasto público em cultura de US$ 0,45 para US$ 1, os votos favoráveis foram mais que o dobro dos contrários (37% a favor contra 16% contra.)
8. Nós acreditamos que as artes são parte de uma educação completa. Nove em cada dez adultos Nine (88%) concordam que as artes são parte de uma educação integral nos ensinos fundamental e médio.
9. Nós acreditamos que as artes deveriam ser ensinadas nos ensinos fundamental e médio. 90% acham que os estudantes devem receber educação artística na escola. 82% afirma que as artes devem também ser ensinadas na comunidade, fora da sala de aula.
10. Nós praticamos artes em nosso tempo livre. Metade dos entrevistados são pessoalmente envolvidos em atividades artísticas (49%) tais como pintar, cantar em coros, fazer artesanato, escrever poesia ou fazer música.
11. Nós nos envolvemos com as artes porque isso nos faz sentir criativos. Entre os que estão pessoalmente envolvidos em práticas artísticas, ou dispõem de arte em suas casas, 60% concordam que "artes e música fora de casa os fazem sentir mais criativos" - percentual que salta para 70% entre os "millennials" (a chamada "Geração Y")
12. Mídias sociais aumentam nossa exposição às artes. 53% dos usuários de redes sociais declaram estar mais expostos às artes graças à conexão on-line. 59% concordam que as artes criadas nesses meios são formas legítimas de arte.
13. Sim! Tatuagem é arte. 27% dos entrevistados possuem alguma tatuagem (12% tem mais de uma). 3/4 acredita que tatuagens são uma forma de arte (73%).
14. As artes unificam nossas comunidades. Os benefícios pessoais das artes ultrapassam os indivíduos. 67% acreditam que "as artes unificam nossas comunidades, para além de diferenças de idade, raça ou cor" e 62% acham que as artes "ajudam a a compreender melhor outras culturas.”
15. Apesar dos benefícios que as artes proporcionam, nem todos em nossas comunidades dispõem de igual acesso a elas. Embora os benefícios para indivíduos e comunidades, apenas 45% entendem que "todos em suas comunidades possuem iguais condições de acesso às artes".

Perfil do público de Porto Alegre (V): renda familiar

Influência da renda para ser frequentador assíduo é menor para bailes


No cruzamento dos dados referentes à renda familiar e à frequência à atividades artísticas, verificou-se, em geral, a esperada desigualdade entre as quatro distintas faixas de renda adotadas. As desigualdades são menores na frequência a bailes, em que mesmo assim o percentual de frequentadores assíduos da faixa de maior renda (42,4%) supera em muito o da menor (26,2%). Cinemas e shows de música apresentam cenários de desigualdade entre as diferentes faixas de renda, porém não tão pronunciados como nas demais atividades. Os percentuais de frequentadores assíduos em cada faixa de renda são semelhantes para essas duas atividades, sendo cerca de três vezes maior na classe mais alta (52,9% para ambas atividades) do que na mais baixa (17,4% para o cinema, 14,9% para shows). Chama a atenção, na maioria das atividades, que a esperada tendência de aumento do percentual de frequentadores assíduos proporcional ao aumento da renda, observada da primeira faixa para a segunda e desta para a terceira, sofre uma queda na última faixa. Ou seja, o percentual de frequentadores assíduos é maior entre os que têm renda de 4 a 10 SM do que entre os que recebem mais de 10 SM. Tal fenômeno só não ocorre para shows de música, teatro e exposições de fotos, nas quais os percentuais de frequentadores assíduos aumentam de forma contínua, conforme cresce a renda.

Mais de 70% da população com renda até 2 SM nunca frequentou concerto, balé ou exposições


A exclusão também apresenta diferenças significativas entre as quatro faixas de renda para todas as atividades. Mesmo na atividade em que a exclusão em geral é menor, o cinema (2,9%), 10,8% dos que possuem renda familiar até 2 SM nunca o frequentaram, enquanto entre os que recebem mais de 10 SM esta taxa é de apenas 1,5%. Para espetáculos musicais, repete-se o fenômeno (13,3% entre os de menor renda, contra 2,3% entre os de maior), assim como para bailes (13,8%, contra média de 2,3%). As atividades com os mais altos índices de exclusão em geral - concertos e espetáculos de dança - apresentam distribuição semelhante entre si, quanto às faixas de renda, com percentuais elevados de exclusão mesmo na faixa de maior renda (42,4% para concertos, 37,1% para dança), e ultrapassando os 70% na menor. Esta última cifra é semelhante para exposições de arte ou fotografia, porém nestas atividades a exclusão é bem menor nas classes mais favorecidas, pouco mais de 20%. Os números para o teatro são um pouco mais animadores, pois embora os percentuais de excluídos sejam maiores do que para bailes, cinema e música, são inferiores aos de exposições, dança e concertos, para todas as faixas de renda.

A pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais entrevistou, entre novembro e dezembro de 2014, 1.220 porto-alegrenses de ambos os sexos, com idade a partir de 14 anos. As entrevistas foram feitas a domicílio, sendo a amostra estratificada segundo idade, sexo e residência nas 17 regiões da cidade. A margem de erro calculada é de 2,8% para mais ou para menos. Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.

Perfil do público de Porto Alegre (IV): escolaridade


Estudantes frequentam acima da média

Somente 21,5% dos entrevistados são estudantes, ou seja, declararam ter vínculo ativo com instituição de ensino. A percentagem destes que frequentou eventos culturais nos últimos 30 dias é significativamente superior aos não-estudantes, para qualquer tipo de evento, chegando a ser mais que o dobro para o cinema (66,4% contra 32,5%). O menor impacto desta variável foi registrado no caso dos espetáculos teatrais, onde 11,1% dos estudantes são frequentadores, ainda assim um percentual superior aos 7,9% de não-estudantes. A diferença, contudo, encontra-se dentro da margem de erro.
Já entre os excluídos, repete-se de forma geral a tendência inversa (maior exclusão proporcional à menor escolaridade), com interessantes exceções. No caso dos concertos, os percentuais são praticamente idênticos entre estudantes ou não-estudantes. Para o cinema, atividade em que os índices de exclusão são em geral pequenos, o dos não-estudantes é 4,5 vezes maior do que o dos estudantes, já que somente 2 entre 262 estudantes entrevistados declararam nunca ter ido ao cinema (0,8%). Contudo, para frequência ao circo e a bailes, o percentual de excluídos é maior entre os estudantes.

Escolaridade é decisiva para frequência a atividades culturais

Somente 105 dos entrevistados (8,6%) possui curso superior completo (aí incluídos 17, ou 1,4%, com pós-graduação); 394 concluíram o Ensino Médio (32,3%); 433, o Ensino Fundamental (35,5%) e 277 chegaram até à 4ª Série do EF (antigo primário, aqui chamado abreviadamente de EP) (22,7%).  Conforme o tipo de atividades, verifica-se diferentes impactos da escolaridade nos hábitos da população entrevistada. Bailes são os eventos mais amplamente frequentados por pessoas, independentemente de sua escolaridade, seguidos dos shows musicais. Quanto aos bailes, a variação fica em torno de 10 pontos percentuais abaixo como acima da média de 39,3%: de 27,8% entre os que cursaram o ensino “primário” até 48,3% entre os que completaram o EF. Nos shows de música, a situação é semelhante, ficando a média de 36,4%, entre o mínimo de 28% com EP e o máximo de 45%, com EF completo. Em ambas as atividades, a faixa de escolaridade que tem mais frequentadores proporcionalmente é a que tem o EF.

Diferenças bem maiores entre os hábitos das pessoas situadas em diferentes faixas de escolaridade aparecem na frequência a concertos, exposições e espetáculos de teatro e dança. Nas exposições de fotos, a percentagem de entrevistados que frequentou ao menos uma vez nos últimos 30 dias entre pessoas com ES é mais de três vezes superior (11,4%) do que entre os que tem apenas o EP (3,2%). Números semelhantes aparecem no teatro: 12,4% contra 3,6%. A diferença entre as faixas extremas é ainda mais expressiva no caso da música erudita: 4,8% contra 0,4%.
Há que se destacar, contudo, que tais variações não são tão expressivas quando comparamos a faixa de graduados universitários com aqueles que tem o EF completo, inclusive em algumas atividades são semelhantes os índices. Cinema, concertos, dança/balé e exposições apresentam pouca diferença entre as duas faixas; somente no teatro há uma diferença significativa, de 12,4% (ES) para 8,5% (EF), mesmo assim dentro da margem de erro. Já os shows musicais e bailes, como dito acima, são mais frequentados pela faixa com EF do que a de ES, o mesmo ocorrendo com o Circo.
A associação mais forte que se verifica é entre a frequência assídua e a conclusão do EF. A partir deste grau, as alterações são pouco significativas quando da conclusão do EM ou ES, mesmo no caso da música erudita. Inclusive, em alguns casos, a alteração é para menos: para circo, baile e shows de música, percentual de assíduos decresce do EF para EM e deste para o ES. A exceção desta regra é o cinema, em que a posse do diploma universitário aumenta em 12,2% a chance de encontrarmos um frequentador assíduo.


No outro extremo, vamos agora analisar a exclusão cultural, conforme distribuída entre as distintas faixas de escolaridade. Aqui, existe uma tendência mais uniforme de queda contínua na exclusão, inversamente proporcional ao grau de escolaridade dos entrevistados, com poucas exceções. Em todas as atividades pesquisadas, o maior percentual de pessoas que nunca frequentou encontra-se invariavelmente na faixa com menor escolaridade (EP). No circo e bailes há empate técnico com o EF, considerando a margem de erro. Somente no circo não há queda contínua para cada novo grau escolar, onde na faixa de maior escolaridade encontramos 21,9% de pessoas que nunca frequentaram, contra 15,3 na faixa com EM.
Embora os shows de música, como assinalamos, tenham na distribuição dos frequentadores assíduos uma das mais equilibradas, no caso dos não-frequentadores esses eventos apresentam a maior variação entre as faixas de escolaridade extremas, sendo o percentual de não-frequentadores entre pessoas com EF (15,2%) oito vezes maior do que entre graduados universitários (1,9%). No caso do cinema, esta diferença ainda é alta, de quase seis vezes (entre 5,8 e 1%). A menor diferença ocorre no caso do circo (1,2 vezes), mas nos demais casos é pelo menos o dobro.

A pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais entrevistou, entre novembro e dezembro de 2014, 1.220 porto-alegrenses de ambos os sexos, com idade a partir de 14 anos. As entrevistas foram feitas a domicílio, sendo a amostra estratificada segundo idade, sexo e residência nas 17 regiões da cidade. A margem de erro calculada é de 2,8% para mais ou para menos. Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.

Perfil do público de Porto Alegre (III): o fator trabalho


Renda importa mais que tempo livre para frequentar atividades culturais

Damos sequência à análise dos cruzamentos de dados da nossa pequisa de consumo cultural, nesta semana abordando o fator...

Trabalho 

Os índices de frequentadores assíduos entre pessoas que declararam ter atividade remunerada (769 respondentes, ou 63% da amostra) são sempre superiores aos que não trabalham, sugerindo que dispor de tempo livre tem menos relevância do que ter recursos para frequentar atividades culturais – não apenas para ingressos, mas para transporte e outros custos associados. Em termos proporcionais, a diferença é mais acentuada entre os frequentadores de circo, onde o percentual entre trabalhadores é quase quatro vezes maior do que entre não-trabalhadores; de concertos (3,4 vezes maior); e de dança (2 vezes). Contudo, como os percentuais gerais de assíduos nessas atividades são pequenos (4,4% para circo, 3,4% para concertos e 6,6% para dança), tais diferenças ficam dentro da margem de erro. Já entre frequentadores de espetáculos de música popular, o fator trabalho influencia pouco: são 37,7% entre trabalhadores, contra 33,9% de não trabalhadores. A exceção à regra fica por conta das exposições de artes, onde frequentadores assíduos são mais comuns entre não-trabalhadores (12,6%) do que entre trabalhadores (11,7%), porém a diferença não ultrapassa a margem de erro. 

Já os dados da exclusão seguem, como de costume, a tendência inversa, com índices maiores entre os não-trabalhadores para todas as atividades. Aqui, a maior discrepância surge em relação aos bailes, onde a exclusão é 2,1 vezes maior entre não-trabalhadores (14,4% contra 6,8%). Já em relação ao circo os índices são muito semelhantes (22,9% contra 23,9%).


Servidores públicos frequentam mais
Os trabalhadores foram classificados conforme o tipo de vínculo: 357 empregados do setor privado (29,3%), 260 autônomos ou profissionais liberais (21,3%), 84 servidores públicos (6,9%), 32 empresários (2,6%) e 26 bolsistas ou estagiários (2,1%) . Observou-se que os frequentadores assíduos são significativamente mais frequentes entre empregados do setor público do que outras categorias, para a grande maioria das atividades culturais. Em muitas delas, a percentagem de assíduos entre os servidores públicos chega ao dobro da média entre os trabalhadores, como nos concertos (11,9%, contra média de 4,6%), dança ou balé, circo e exposições. As exceções ficam com o cinema, em que os servidores públicos são superados pelos bolsistas ou estagiários (54,8% contra 65,4%), atividade em que predomina o público mais jovem, como vimos anteriormente; e o teatro, onde 25% dos empresários são assíduos, contra 19% dos servidores públicos. Chama a atenção ainda o fato de não se encontrarem, entre os 26 entrevistados que se declararam bolsistas ou estagiários, nenhum que tenha frequentado concerto ou ópera, dança ou balê e circo nos últimos 30 dias. Tampouco foi encontrado frequentador assíduo a concerto ou ópera entre os 32 empresários entrevistados.

No aspecto da exclusão, os funcionários públicos mantém uma performance invejável, sendo o fato mais notável o não haver nenhum entre os 84 que não haja frequentado alguma vez um cinema ou show musical. O mesmo, porém, ocorre entre os 26 bolsistas e estagiários, categoria que também apresenta o menor índice de excluídos para exposições de fotos (26,9%). Por outro lado, os empresários são os que apresentam as menores taxas de exclusão para as atividades de teatro (12,5%, menos de um terço da média de 39,9%), dança (25% contra média de 55,1%), exposições de artes (21,9% contra 46%) e circo (9,4% contra 22,9%).

Entre as 451 pessoas que declararam não ter atividade remunerada (37% da amostra), cerca de 1/3 são estudantes, enquanto outro 1/3 são aposentados. O restante dividem-se entre afazeres domésticos e os que estão desempregados ou procurando emprego. As baixas frequências à maioria das atividades reveladas pelos idosos foram confirmadas pelos que se declaram aposentados, sempre com frequências significativamente mais baixas que a média dos entrevistados. Mesmo no cinema, bailes e shows musicais, atividades que apresentam os menores índices de exclusão, não iremos encontrar muitos aposentados entre os frequentadores assíduos, reforçando a tendência a considerar outros fatores como preponderantes sobre a disponibilidade de tempo livre na decisão de frequentar atividades culturais. Somente 12,9% dos aposentados frequentaram cinema nos últimos 30 dias, por exemplo, percentagem 5 vezes menor do que os 64,6% do total dos entrevistados.

Já na categoria dos excluídos tem destaque os que se dedicam a afazeres domésticos, com índices maiores de exclusão para a maioria das atividades (concertos, dança, teatro, exposições e circo). Observe-se que os estudantes, se por um lado apresentam as menores taxas de exclusão em atividades como teatro e exposições, chegando à taxa zero em cinema (todos os 140 estudantes já o frequentarem pelo menos uma vez), em outras tem índice acima da média, como no circo e concertos.

A pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses entrevistou, entre novembro e dezembro de 2014, 1220 porto-alegrenses de ambos os sexos, com idade a partir de 14 anos. As entrevistas foram feitas a domicílio, sendo a amostra estratificada segundo idade, sexo e residência nas 17 regiões da cidade. A margem de erro calculada é de 2,8% para mais ou para menos. Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.

Perfil do público de Porto Alegre (II): Sexo, raça e estado civil



Entre frequentadores assíduos de cinema, predominam solteiros. Para shows e bailes, predomina o sexo masculino. Exclusão entre negros é maior.

Damos sequência ao cruzamento de dados da nossa pesquisa sobre consumo cultural em Porto Alegre, iniciado na postagem da semana passada.

Sexo

A pesquisa entrevistou 626 mulheres (51,3%) e 594 homens (48,7%). Diferenças significativas de frequência entre os sexos ocorrem em poucos tipos de atividades culturais. Entre os frequentadores assíduos de shows musicais, a maioria é de homens (39,7%, contra 33,1% de mulheres), o mesmo acontecendo entre os que costumam sair para dançar (41,8% x 36,9%).

Já os excluídos da música de concertos e ópera são mais frequentemente mulheres (69% x 65,2%). No caso de espetáculos de dança, ocorre o contrário: 62,5% são homens e 55,1% mulheres.

Raça ou Cor

Em relação a esta variável, 847 entrevistados (69,4%) declararam-se brancos, 259 pretos (21,2%) e 89 pardos (7,3%). Para uma melhor representatividade, em função do tamanho da amostra, pretos e pardos foram considerados em conjunto na análise (como “negros”), totalizando 28,5%. Devido à pouca representatividade, não utilizamos as respostas dos 23 respondentes que se declararam indígenas (1,9%) e dos 2 da raça amarela (0,2%).

As percentagens de frequentadores assíduos são maiores entre brancos do que entre os negros, para quaisquer das atividades pesquisadas (embora, em alguns casos, a diferença fique dentro da margem de erro). A maior diferença em termos proporcionais encontra-se no público teatral: são 10,2% entre brancos, 2,2 vezes mais do que entre negros e pardos (4,6%). Em termos absolutos, está no cinema, com 43,3% para brancos contra 30,5% para negros. Em média, a probabilidade de um branco ser frequentador assíduo de alguma das atividades consideradas é 42% maior do que para um negro.

Também as taxas de exclusão são maiores entre negros do que entre brancos, para todas as atividades pesquisadas. Em média, as chances de um entrevistado ser excluído são 50% maiores para negros.

Estado civil

Quase a metade da amostra (48,4%) é de pessoas casadas ou que vivem em união estável, seguidas pelos solteiros (38%). Separados são 7,3% e viúvos, 5,7%. Os frequentadores assíduos distribuem-se de forma bastante desigual, em relação a diversas atividades culturais, conforme seu estado civil. Mais da metade dos solteiros, por exemplo, são assíduos ao cinema (56,5%), percentual que não é igualado em nenhuma outra atividade, em nenhum estado civil. Casados assíduos ao cinema, por exemplo, são apenas 30,3%. Situação semelhante ocorre em relação a shows musicais (46,4% entre os solteiros; 31% entre casados) e bailes (48,8% contra 35,5%). Somente 1,7% dos solteiros (8 entre 463 entrevistados) frequentaram concertos no último mês, sendo esta a menor porcentagem para qualquer estado civil e atividade. Tendência inversa ocorre nas atividades de público menos numeroso, como os concertos e ópera, onde são assíduos 4,9% dos casados, contra apenas 1,7% dos solteiros; assim como nos espetáculos de dança (8,3% contra 4,8%) e circo (6,1% contra 3%), ainda que essas diferenças estejam dentro da margem de erro.


Já as pessoas que nunca frequentaram eventos culturais são proporcionalmente mais numerosas entre os viúvos, para quase todos os tipos de eventos, com exceção do circo. (No caso da dança ou balé, em que os excluídos representam 62,9% dos viúvos, há um empate técnico com os solteiros, com 63,5%). A maior taxa de exclusão ocorre entre os viúvos para a música erudita: 77,1% nunca frequentaram.

A pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais entrevistou, entre novembro e dezembro de 2014, 1.220 porto-alegrenses de ambos os sexos, com idade a partir de 14 anos. As entrevistas foram feitas a domicílio, sendo a amostra estratificada segundo idade, sexo e residência nas 17 regiões da cidade. A margem de erro calculada é de 2,8% para mais ou para menos. Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.

Pesquisa Usos do Tempo Livre: perfil do público de Porto Alegre segundo idade

Retomamos hoje a divulgação dos resultados da nossa pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, cujos dados básicos, publicados em livro, não continham ainda cruzamentos entre as diversas variáveis. Assim, damos continuidade à análise daqueles resultados, relacionando características dos entrevistados - como idade, sexo, cor ou raça, escolaridade, renda, profissão e estado civil - com a frequência com que declararam assistir a eventos culturais como sessões de cinema, shows musicais, circo, concertos ou óperas, espetáculos de dança ou balé, de teatro, exposições de fotos, de pintura ou outras artes e bailes ou outros locais de dança. As perguntas sobre a frequência a esse tipo de eventos ofereciam quatro respostas possíveis: 1) “Sim, ao menos uma vez nos últimos 30 dias”; 2) “Sim, ao menos uma vez nos últimos 12 meses”; 3) “Sim, alguma vez na vida, há mais de 12 meses” e 4) “Nunca”. Nosso foco serão as respostas extremas, caracterizando aqueles que optaram pela primeira como “frequentadores assíduos”; e os que se enquadraram na última, como “excluídos” dessas manifestações culturais.
Clique no gráfico para ampliá-lo

Idade x eventos culturais

De maneira geral, à medida que aumenta a idade, tornam-se mais raros os frequentadores assíduos. Jovens de 15 a 24 anos são a faixa etária que apresenta os maiores percentuais de frequentadores assíduos de cinema (59,7%, contra 39,8% do total da amostra), bailes (53,6% contra 39,3% do total) e shows musicais (51,6% contra 36,3%). No caso do cinema, por exemplo, essa parcela cai para 19,1% entre 55 e 64 anos e apenas 8,1% com 65 anos ou mais. Para exposições de fotografia ou de artes em geral, há uma predominância da faixa de 25 a 44 anos. Nas demais atividades, existe uma distribuição mais equitativa dos frequentadores entre as faixas intermediárias, com variações que ficam dentro da margem de erro, porém sempre com redução significativa na de maior idade. Destaca-se o fato de nenhum dos 115 respondentes desta faixa (que corresponde a quase 10% do total da amostra) ter frequentado concerto ou ópera, nem exposições de artes nos últimos 30 dias, enquanto apenas dois (1,7%) frequentaram espetáculos de dança ou balé.

No polo oposto, da exclusão, o maior índice encontra-se novamente entre os jovens de 15 a 24 anos, dos quais 76,9% nunca estiveram em um concerto ou ópera, percentual acima da média da amostra, para esta atividade (67,1%). Um pouco menos pior é a situação da dança ou balé: 67,5% dos jovens de 15 a 24 anos nunca frequentaram essa atividade, contra 58,7% da população em geral. A tendência de uma exclusão maior entre jovens em parte é esperada, se considerarmos que o número de oportunidades para frequentarmos eventos tende a crescer de forma proporcional ao tempo vivido. No entanto, quando se trata de exposições, são os idosos (65 anos ou mais) que apresentam os maiores índices - 64,3%, contra média de 52,9% para exposições de foto; 65,2% contra 49,7% para exposições de artes. O fenômeno se repete no teatro - 53,9% entre os idosos, contra 43,2% na população em geral. Já o circo tem características peculiares. Embora a exclusão em geral seja menor que para outras artes (23,3%), ela aumenta em proporção inversa à idade, atingindo 35,7% na faixa de 15 a 24 anos, o que poderia indicar uma tendência à redução do acesso ou do interesse por essa atividade tradicional, nos últimos tempos, entre os mais jovens. O recorte da pesquisa, porém, ao entrevistar somente pessoas com mais de 14 anos, deixou de fora as crianças, público por excelência do circo, motivo pelo qual seria precipitado concluir algo nesse sentido. Em relação a shows musicais, há duas categorias distintas de exclusão (que poderíamos chamar generacionais): dos 15 aos 44 anos o percentual de pessoas que nunca foram a shows (entre 4,1% e 5,1%) é menos da metade do apresentado entre as pessoas com mais de 45 anos (entre 9,6% e 11%).

A pesquisa entrevistou, entre novembro e dezembro de 2014, 1220 porto-alegrenses de ambos os sexos, com idade a partir de 14 anos. As entrevistas foram feitas a domicílio, sendo a amostra estratificada segundo idade, sexo e residência nas 17 regiões da cidade. A margem de erro calculada é de 2,8% para mais ou para menos. Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.

Usos do tempo livre e práticas culturais dos porto-alegrenses: relatório final disponível




A partir de hoje, colocamos à disposição dos leitores a publicação completa - para leitura ou download - com os resultados da pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto Alegrenses, alguns dos quais já foram adiantados aqui neste blog. É o produto de um processo iniciado ainda em 2012, com a apresentação do projeto ao Edital do Fundo de Apoio à Cultura do Estado. Em dezembro de 2014, foram entrevistados em suas residências 1220 cidadãos com 16 anos ou mais, amostra distribuída proporcionalmente nas 17 regiões da cidade. Nos próximos dias estará disponível o livro também em papel.

Os resultados servirão para o planejamento de políticas públicas de cultura e para o auto-conhecimento da sociedade, bem como para uso de outros pesquisadores. Esperamos que a enquete possa ser repetida periodicamente, a fim de avaliar a evolução dessas práticas ao longo do tempo.
Boa leitura.

Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.