A pirataria na Internet: novo estudo publicado

Clique para baixar o relatório (em inglês)
A Universidade de Amsterdam acaba de publicar o relatório Global online piracy study, sobre o consumo de música, filmes, séries, livros e jogos através de vários canais legais e ilegais disponíveis num conjunto de 13 países de distintos continentes (França, Alemanha, Holanda, Polônia, Espanha, Suécia, Brasil, Canadá, Hong Kong, Indonésia, Japão, Tailândia). Os objetivos são fornecer informações factuais sobre o estado de aquisições autorizadas e não autorizadas e consumo de conteúdos digitais; avaliar os motivos e mecanismos subjacentes e seu vínculo com medidas de fiscalização e legislação disponível; avaliar o efeito da pirataria on-line sobre o consumo de fontes legais. No centro do estudo, financiado pela Google, está uma pesquisa com cerca de 35.000 entrevistados, incluindo mais de 7.000 menores, nos 13 países citados.

Análise legal

A pesquisa jurídica comparativa foi realizada com base em questionários sobre o status legal de violação e execução de direitos autorais, completados por especialistas nos 13 países estudados. Constatou-se que, apesar de algum grau de incerteza jurídica, a maioria dos atos estudados é qualificada como infração por parte dos usuários ou permite a responsabilização de intermediários. Além disso, os ISPs (Provedores de Acesso à Internet) estão frequentemente sujeitos a prescrições e deveres de precaução, mesmo quando se utilizam de fontes seguras. No geral, os detentores de direitos autorais tem um vasto arsenal de medidas legais para implantar contra usuários finais e ISPs. Existe uma tendência em muitos países em relação à aplicação de direitos autorais por meio de medidas civis ou administrativas destinadas a bloquear sites que fornecem acesso a conteúdo infrator. Avisos aos infratores e às plataformas que hospedam ou vinculam conteúdo infrator com o objetivo de remover ou bloquear tal conteúdo são igualmente usados com ​​regularidade, no contexto de sistemas de aviso e remoção. Medidas criminais são menos populares. Ainda assim, apesar da abundância de medidas de fiscalização, a percepção de sua eficácia é incerta. É questionável se a resposta para combater com sucesso a violação de direitos autorais on-line está em direitos ou medidas de execução, especialmente se não resultam em receitas adicionais para os detentores de direitos autorais e geram risco de conflito com os direitos fundamentais dos usuários e intermediários. Em vez disso, pode ser sensato procurar a resposta à pirataria em estratégias mais atraentes de oferta legal de conteúdos protegidos por direito autoral.

Mercados em crescimento

Os dados de vendas de música, filmes, vídeos, livros e jogos indicam que a renda per capita seria um importante fator de despesas, para todos os tipos e formatos de conteúdos digitais. No entanto, a partir de um nível de renda anual de € 30.000 per capita, esta relação já não parece se aplicar e as preferências nacionais superam o fator renda. Analisando mais de perto, fica claro que as vendas físicas estão em declínio contínuo para quase todos os tipos de conteúdo e em quase todos os países, porém apesar disso o aumento nas vendas digitais levou ao crescimento líquido total entre 2014 e 2017 para música gravada, conteúdos audiovisuais, livros e jogos. Despesas com shows e concertos ao vivo e idas ao cinema também estão em alta.

Resultados da pesquisa

A percentagem da população da Internet que consome conteúdo de fontes legais varia entre 61% na França e 93% na Indonésia. Na maioria dos países europeus, esse percentual caiu um pouco entre 2014 e 2017 - principalmente devido a uma queda para os suportes físicos - enquanto o volume total de consumo legal cresceu. Consumir conteúdo de fontes ilegais - pirataria on-line - é mais prevalente entre usuários de Internet na Indonésia, Tailândia e Brasil, seguidos pela Espanha e Polônia. Em percentagem da população total, Espanha, Canadá e Hong Kong são os três principais países para a pirataria, que é menos comum na Alemanha, Japão e Indonésia (nesta devido à baixa penetração da Internet). Entre 2014 e 2017, o número de piratas diminuiu em todos os países europeus, exceto na Alemanha. (O Brasil só foi incluído na pesquisa de 2017).

Os volumes de consumo per capita por canal de conteúdo legal e ilegal, que acompanham a pesquisa, nem sempre coincidem com essas tendências: para a maioria dos países e tipos de conteúdo, um aumento no consumo per capita de conteúdos ilegais foi observado, apesar de um decréscimo na  proporção da população na pirataria on-line. Isto implica que a questão da pirataria está gradualmente  se restringindo a um grupo menor: menos pessoas consomem mais conteúdo, através de canais ilegais. 

Pode ser tentador argumentar que um aumento no uso de certas medidas coercitivas contra plataformas ilegais tem contribuído para a diminuição do número de piratas na Europa. No entanto, a falta de evidências relativa à eficácia da maioria das medidas de execução e à forte ligação entre a pirataria e o disponibilidade e acessibilidade do conteúdo sugere o contrário: em nível nacional, a pirataria on-line relaciona-se de forma notavelmente forte com a falta de poder aquisitivo. Maior renda per capita coincide com um menor número de piratas por usuários legais. Além disso, piratas e usuários legais são em grande parte as mesmas pessoas: demograficamente, os piratas se assemelham  muito aos usuários legais, embora em média tendam a ser um pouco mais jovens e mais frequentemente do sexo masculino. Mais importante, para cada tipo de conteúdo e país, 95% ou mais dos piratas também consomem conteúdo legal, e seu consumo médio deste conteúdo é aproximadamente o dobro do de usuários legais que não são piratas.

Substituição de vendas legais

Este estudo confirma estudos anteriores que encontraram evidências estatísticas de que o consumo ilegal de música, livros e jogos substitui o consumo legal. No entanto, essa tendência não ocorre entre os menores de idade. Os resultados para música indicam que o consumo ilegal substitui principalmente os downloads legais e suportes físicos. O efeito no streaming não é estatisticamente significativo. Para livros, os resultados são contrários aos da música e do audiovisual, no sentido de que taxas estatisticamente significativas de substituição foram encontradas para livros comprados em papel e emprestados de bibliotecas. Para jogos, o efeito encontrado para jogos gratuitos é particularmente alto, mas os coeficientes encontrados para os outros canais também são estatisticamente significativos. Assim como para livros, o grande coeficiente de jogos grátis podem ser exagerados.

Combinando os dados da pesquisa com os de uma pesquisa semelhante realizada em 2014, é possível verificar mudanças individuais nos hábitos de consumo em seis países da Europa, ao longo do tempo. Um aumento no consumo ilegal ao longo do tempo está relacionado com um aumento no consumo legal, e vice-versa. A longo prazo, melhorias na disponibilidade de canais legais são decisivos, e as mudanças nas preferências pessoais afetam de forma semelhante o consumo legal e o ilegal.

Pesquisa inédita mapeia o acesso à cultura em 12 capitais brasileiras

Infográfico destaca alguns resultados para Porto Alegre
No mês passado, foram publicados os resultados da pesquisa Cultura nas Capitais, a pesquisa quantitativa entrevistou 10.630 jovens e adultos (com doze anos ou mais) sobre seus hábitos culturais, entre junho e julho de 2017, em doze capitais das cinco regiões brasileiras.  Os entrevistados foram abordadas em pontos de fluxo populacional, segundo metodologia desenvolvida pelo Instituto Datafolha. Além de indagar sobre os hábitos culturais (leitura, frequência a cinemas, teatros, shows de música, eventos de dança, museus, circos, etc.), o questionário incluiu perguntas sobre o perfil sociodemográfico e comportamental. O estudo apresenta as variáveis mais tradicionais — como sexo, idade, escolaridade, classificação econômica e renda — e traz informações sobre estado civil, presença de filhos, tipo de ocupação, cor, religião e orientação sexual (esta última pergunta só foi feita para pessoas com ao menos dezesseis anos).

Os dados dessa pesquisa situam Porto Alegre acima da média das capitais, em quase todos os tipos de atividades. Por exemplo, pessoas que nunca foram a shows de música são 22% (16% em Porto Alegre); a concertos são 66% (contra 61% em Porto Alegre). Pessoas que frequentaram as diversas atividades em Porto Alegre, nos últimos doze meses, apresentam percentuais acima da média para todas as atividades, exceto circo e festas populares.


Outra comparação interessante é entre os dados dessa pesquisa e aqueles obtidos por nós em 2015, na pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, o que fizemos na tabela aa lado. Observa-se que alguns resultados se aproximam, enquanto outros tem divergências significativas. (Cabe notar que na pesquisa do Observatório as entrevistas foram realizadas a domicílio, diferentemente destas, em que os entrevistados foram abordados em espaços públicos)

Clique na imagem para baixar o livro (pdf)
Os resultados da pesquisa Cultura nas Capitais estão disponíveis no site de uma forma muito atraente, permitindo uma ótima visualização dos dados de cada uma das capitais e o cruzamento das diversas variáveis pesquisadas. Quem preferir, pode baixar no formato de livro.

A pesquisa é uma realização da J. Leiva Cultura e Esporte, com patrocínio da Braskem e Instituto CCR, com apoio do Proac-SP e Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Perfil do público das artes em Porto Alegre nos Anais do I CIPCS

 Clique na imagem para ler os anais do CIPCS

Artigo apresentado em Congresso utilizou dados da pesquisa do Observatório da Cultura


Nos dias 17 a 19 de abril, estivemos na Universidade Federal de Pelotas, participando do I Congresso Internacional de Pesquisa em Cultura e Sociedade (I CIPCS). Na ocasião, apresentamos o trabalho "Perfil do público das artes em Porto Alegre".

Partindo dos resultados da pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, realizada pelo Observatório da Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, que entrevistou 1.220 pessoas com 15 anos ou mais, entre novembro e dezembro de 2014, o artigo analisa as respostas sobre frequência da população a atividades artístico-culturais externas, tais como a assistência a espetáculos de música popular e erudita, dança, teatro, exposições de fotos e artes plásticas e filmes em salas de cinema, segundo variáveis como idade, sexo, cor ou raça, escolaridade, renda, trabalho, profissão e estado civil. Os resultados indicam graves desigualdades na participação, clamando por maior atenção das políticas pública s locais, no sentido de ampliar os públicos desses eventos, atraindo a população que apresenta maiores índices de exclusão, notadamente jovens e idosos, negros, pobres e pessoas com baixa escolaridade. Dado o pouco alcance das políticas culturais tradicionais, sugere-se que a articulação dessas com políticas sociais voltadas para a juventude, os idosos, a acessibilidade e o combate à discriminação racial pode contribuir nessa tarefa, bem como a formação de público por meio do ensino das artes, com resultado s a médio e longo prazo.

Alguns dados utilizados no artigo já foram comentados neste blog, em postagens aqui, aqui, aqui e aqui.

Os Anais do I CIPCS (1831 p.), contendo o artigo (p. 727-742), estão disponíveis aqui. 

Realização do Instituto Conex e do Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura (CLAEC), o I Congresso Internacional de Pesquisa em Cultura e Sociedade teve como proposta promover o intercâmbio de pesquisas com focos em estudos culturais, e seus variados fenômenos sociais e constituir um espaço que permita ampliar e aprofundar as noções que cercam este tema, tão importante para a vida contemporânea, onde a cultura encontra-se imersa em um rápido contexto de globalização, por isso, sendo tão importante sua compreensão nas mais variadas manifestações apresentadas nos meios sociais.

Observatório apresenta resultados de pesquisa de públicos em Congresso

Na semana passada, o coordenador do Observatório da Cultura de Porto Alegre, Álvaro Santi, participou, na Universidade Federal de Pelotas, do I Congresso Internacional de Pesquisa em Cultura e Sociedade, onde apresentou o artigo "Perfil do Público das Artes em Porto Alegre", baseado em dados da pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, realizada pelo Observatório da Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, que entrevistou 1.220 pessoas com 15 anos ou mais, entre o final de 2014 e o início de 2015. (Um primeiro relatório dessa pesquisa foi publicado aqui.)

O  artigo analisa as respostas sobre frequência da população a atividades artístico culturais externas, tais como a assistência a espetáculos de música popular e erudita,dança, teatro, exposições de fotos e artes plásticas e filmes em salas de cinema, segundo variáveis como idade, sexo, cor ou raça, escolaridade, renda, trabalho, profissão e estado civil. 

Desigualdade revelada: percentual de pessoas que nunca
frequentaram atividades culturais é maior entre os negros,
para todos os tipos de atividades. (clique para ampliar)
De acordo com a pesquisa, os resultados indicam desigualdades significativas na participação (veja exemplo no gráfico ao lado), exigindo  maior atenção das políticas públicas locais no sentido de ampliar os públicos desses eventos, notadamente jovens e idosos, negros, pessoas com baixa escolaridade e baixa renda familiar. Considerando o limitado alcance e recursos das políticas culturais tradicionais, sugere que a articulação destas com outras políticas sociais - voltadas para a juventude, os idosos, a acessibilidade e o combate à discriminação racial - possa contribuir nessa tarefa; bem como a formação de público por meio do ensino das artes, com resultados a médio e longo prazo.

Realizado pelo Instituto Conex e pelo Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura (CLAEC), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do RS (Fapergs), o Congresso de Pesquisa em Cultura e Sociedade teve como proposta promover o intercâmbio de pesquisas com focos em estudos culturais, e seus variados fenômenos sociais. 

O artigo será publicado em breve nos anais do Congresso (que compartilharemos aqui).

Perfil do público das artes em Porto Alegre é analisado em artigo

O Artigo "Perfil do Público das Artes em Porto Alegre", de Álvaro Santi, foi selecionado para apresentação no Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura - Enecult, que ocorre esta semana em Salvador BA. O artigo apresenta, de forma resumida, alguns dados já reproduzidos e comentados em postagens anteriores deste blog, obtidos pela pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais dos Porto-Alegrenses, do Observatório da Cultura, relacionando a frequência a espetáculos de música, teatro, dança, exposições e cinema com características dos entrevistados, como sexo, cor/raça, renda e escolaridade.

Em sua décima-segunda edição, o Enecult é realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura) do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC) e Faculdade de Comunicação, como apoio do Observatório do Itaú Cultural.

Todos os artigos selecionados para a presente edição do Enecult podem ser baixados aqui.

Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.

ATUALIZAÇÃO EM 12/7/2018: Embora a pesquisa tenha sido selecionada pelo Enecult, por motivos pessoais não me foi possível viajar para apresentar o trabalho no evento, motivo pelo qual o mesmo foi excluído dos anais publicados na Internet. Posteriormente, foi apresentado no I Congresso Internacional de Pesquisa em Cultura e Sociedade, em abril de 2018, em Pelotas RS. Acesse aqui o artigo.

Pesquisa revela percepção do público sobre as artes nos EUA


Em dezembro de 2015, a empresa de pesquisas Ipsos realizou, para a Americans for the Arts, associação da sociedade civil norte-americana em prol das artes, uma pesquisa de opinião sobre a percepção e atitudes do público em relação às artes no país, através de 3.020 entrevistas com a população adulta. O relatório completo (em inglês) está disponível na página da associação. Pelo interesse que desperta, sobretudo por podermos comparar alguns dados com a realidade brasileira, traduzimos aqui alguns dados destacados na pesquisa:


1. As artes conferem sentido à nossa vida. 63% da população acredita que as artes "nos elevam" (“lift me up") para além da vida cotidiana. 64% sente que as artes lhes dão "o prazer puro de experimentar e participar” e 73% dizem que as artes são "uma experiência positiva num mundo conturbado".
2. A maioria de nós busca experiências artísticas. 7 em cada 10 estadunidenses adultos (68%) frequentaram algum evento artístico no ano anterior (indo ao teatro, museu, espetáculo musical, etc.)
3. Frequentemente usufruímos das artes em lugares inesperados. Uma proporção ainda maior da população (77%) afirma ter experimentado as artes em espaços "não artísticos", como parques, hospitais, shoppings ou aeroportos.
4. As artes são parte das vidas das pessoas nos mais diversos grupos sociais. Pessoas negras frequentam mais eventos artísticos que as brancas (71% contra 66%). Índices mais altos de participação da população negra foram encontrados para diversas manifestações artísticas, incluindo dança, museus e teatro.
5. Instituições artísticas agregam valor a nossas comunidades. Independentemente dos entrevistados participarem pessoalmente, 87% deles acredita que essas entidades são importantes para a qualidade de vida e 82% pensa que são importantes para os negócios e a economia local.
6. Nós doamos para as artes. 27% da população (mais do que 1 em 4 entrevistados) fez alguma doação a organizações de artes, cultura ou mídia pública no ano anterior. Os doadores são em geral mais jovens, com níveis de renda e educação acima da média.
7. Nós apoiaremos candidatos que pretendam incrementar o fomento às artes. Perguntados se votariam ou não em candidatos que prometessem aumentar o atual gasto público em cultura de US$ 0,45 para US$ 1, os votos favoráveis foram mais que o dobro dos contrários (37% a favor contra 16% contra.)
8. Nós acreditamos que as artes são parte de uma educação completa. Nove em cada dez adultos Nine (88%) concordam que as artes são parte de uma educação integral nos ensinos fundamental e médio.
9. Nós acreditamos que as artes deveriam ser ensinadas nos ensinos fundamental e médio. 90% acham que os estudantes devem receber educação artística na escola. 82% afirma que as artes devem também ser ensinadas na comunidade, fora da sala de aula.
10. Nós praticamos artes em nosso tempo livre. Metade dos entrevistados são pessoalmente envolvidos em atividades artísticas (49%) tais como pintar, cantar em coros, fazer artesanato, escrever poesia ou fazer música.
11. Nós nos envolvemos com as artes porque isso nos faz sentir criativos. Entre os que estão pessoalmente envolvidos em práticas artísticas, ou dispõem de arte em suas casas, 60% concordam que "artes e música fora de casa os fazem sentir mais criativos" - percentual que salta para 70% entre os "millennials" (a chamada "Geração Y")
12. Mídias sociais aumentam nossa exposição às artes. 53% dos usuários de redes sociais declaram estar mais expostos às artes graças à conexão on-line. 59% concordam que as artes criadas nesses meios são formas legítimas de arte.
13. Sim! Tatuagem é arte. 27% dos entrevistados possuem alguma tatuagem (12% tem mais de uma). 3/4 acredita que tatuagens são uma forma de arte (73%).
14. As artes unificam nossas comunidades. Os benefícios pessoais das artes ultrapassam os indivíduos. 67% acreditam que "as artes unificam nossas comunidades, para além de diferenças de idade, raça ou cor" e 62% acham que as artes "ajudam a a compreender melhor outras culturas.”
15. Apesar dos benefícios que as artes proporcionam, nem todos em nossas comunidades dispõem de igual acesso a elas. Embora os benefícios para indivíduos e comunidades, apenas 45% entendem que "todos em suas comunidades possuem iguais condições de acesso às artes".

Perfil do público de Porto Alegre (V): renda familiar

Influência da renda para ser frequentador assíduo é menor para bailes


No cruzamento dos dados referentes à renda familiar e à frequência à atividades artísticas, verificou-se, em geral, a esperada desigualdade entre as quatro distintas faixas de renda adotadas. As desigualdades são menores na frequência a bailes, em que mesmo assim o percentual de frequentadores assíduos da faixa de maior renda (42,4%) supera em muito o da menor (26,2%). Cinemas e shows de música apresentam cenários de desigualdade entre as diferentes faixas de renda, porém não tão pronunciados como nas demais atividades. Os percentuais de frequentadores assíduos em cada faixa de renda são semelhantes para essas duas atividades, sendo cerca de três vezes maior na classe mais alta (52,9% para ambas atividades) do que na mais baixa (17,4% para o cinema, 14,9% para shows). Chama a atenção, na maioria das atividades, que a esperada tendência de aumento do percentual de frequentadores assíduos proporcional ao aumento da renda, observada da primeira faixa para a segunda e desta para a terceira, sofre uma queda na última faixa. Ou seja, o percentual de frequentadores assíduos é maior entre os que têm renda de 4 a 10 SM do que entre os que recebem mais de 10 SM. Tal fenômeno só não ocorre para shows de música, teatro e exposições de fotos, nas quais os percentuais de frequentadores assíduos aumentam de forma contínua, conforme cresce a renda.

Mais de 70% da população com renda até 2 SM nunca frequentou concerto, balé ou exposições


A exclusão também apresenta diferenças significativas entre as quatro faixas de renda para todas as atividades. Mesmo na atividade em que a exclusão em geral é menor, o cinema (2,9%), 10,8% dos que possuem renda familiar até 2 SM nunca o frequentaram, enquanto entre os que recebem mais de 10 SM esta taxa é de apenas 1,5%. Para espetáculos musicais, repete-se o fenômeno (13,3% entre os de menor renda, contra 2,3% entre os de maior), assim como para bailes (13,8%, contra média de 2,3%). As atividades com os mais altos índices de exclusão em geral - concertos e espetáculos de dança - apresentam distribuição semelhante entre si, quanto às faixas de renda, com percentuais elevados de exclusão mesmo na faixa de maior renda (42,4% para concertos, 37,1% para dança), e ultrapassando os 70% na menor. Esta última cifra é semelhante para exposições de arte ou fotografia, porém nestas atividades a exclusão é bem menor nas classes mais favorecidas, pouco mais de 20%. Os números para o teatro são um pouco mais animadores, pois embora os percentuais de excluídos sejam maiores do que para bailes, cinema e música, são inferiores aos de exposições, dança e concertos, para todas as faixas de renda.

A pesquisa Usos do Tempo Livre e Práticas Culturais entrevistou, entre novembro e dezembro de 2014, 1.220 porto-alegrenses de ambos os sexos, com idade a partir de 14 anos. As entrevistas foram feitas a domicílio, sendo a amostra estratificada segundo idade, sexo e residência nas 17 regiões da cidade. A margem de erro calculada é de 2,8% para mais ou para menos. Os dados da pesquisa estão disponíveis aqui.